domingo, 19 de janeiro de 2014

Em 10 anos, reservas particulares na mata atlântica crescem 80%

folha de são paulo
Rafael Garcia 
O número de propriedades particulares na mata atlântica transformadas em reservas por iniciativa dos próprios donos aumentou 80% nos últimos dez anos, indica levantamento de ONGs ambientalistas. Apesar do crescimento, porém, a área somada dessas unidades de conservação ainda é menor que o município de São Paulo.
As RPPNs (reservas particulares do patrimônio nacional) existem desde a década de 1990, quando o Ibama viu uma oportunidade para engajar proprietários de terra em esforços de conservação. A iniciativa é particularmente importante na mata atlântica, onde 80% do que resta da vegetação original está em propriedades privadas.
Joel Silva/Folhapress
Eugenio e Kirsten Follman, em sua propiedade em Mairiporã
Eugenio e Kirsten Follman, em sua propiedade em Mairiporã
Hoje, há 762 RPPNs no bioma espalhadas em 14 Estados, somando 142 mil hectares. Segundo ambientalistas que dão suporte técnico a proprietários de RPPNs, apesar de existirem alguns incentivos, como a isenção de ITR (imposto territorial rural), a principal motivação para a criação das reservas ainda é a consciência ambiental.
"Muitos proprietários de terra permanecem por muito tempo nessas áreas e acabam desenvolvendo um carinho especial por elas", conta Mariana Machado, coordenadora do programa de incentivo a RPPNs das ONGs SOS Mata Atlântica e Conservação Internacional. "Alguns têm a preocupação de que as próximas pessoas a serem donas da área não cuidem dela."
Como a RPPN é uma unidade de conservação criada em caráter perpétuo, porém, alguns proprietários temem que suas terras percam valor e que talvez precisem vendê-las no futuro. Mas há quem aposte que a criação da reserva valorize o terreno.
MAIS VALOR
Donos de hotéis, agricultores orgânicos e agentes de ecoturismo são o novo perfil de proprietário que tem procurado a SOS Mata Atlântica atrás de ajuda para criar RPPNs. A ONG oferece auxílio no trâmite burocrático e no plano de manejo das áreas conservadas das reservas.
Editoria de Arte/Folhapress
Muitas novas RPPNs são pequenos negócios com mata intocada ao redor. Para o jornalista João Yuasa, que constrói uma pousada em São Luiz do Paraitinga (SP), onde já tinha um sítio, a motivação principal para criar uma reserva é a vontade de preservar. Ele diz crer, porém, que a iniciativa acrescente valor ao seu novo investimento.
"O perfil de hóspede que a gente quer é a pessoa com um pouco de consciência ecológica, que valoriza a preservação ambiental, o silêncio e a tranquilidade", diz Yuasa.
Segundo o Global Environment Facility, fundo que banca iniciativas de conservação, o aumento do número de RPPNs é essencial para preservar a região, onde matas remanescentes são apenas 8,5% da cobertura original e estão muito fragmentadas.
"A mata atlântica não é como a Amazônia, onde US$ 3 milhões criam uma reserva de 1 milhão de hectares", diz Gustavo Fonseca, coordenador de biodiversidade do fundo. "Aqui o setor público não tem como arcar com o custo. O preço da terra é muito alto, e é preciso ter o envolvimento da sociedade para preservar essas áreas importantes." 
"Amigos me diziam que eu estava louco"
ENVIADO A MAIRIPORÃEm 1991, quando comprou um sítio em Mairiporã (SP), o luthier Eugenio Follmann costumava frequentar o escritório regional do Ibama. Construtor de instrumentos musicais, ele recorria ao órgão para se informar sobre compra de madeira certificada, não oriunda de desmatamento. Foi lá que viu pela primeira vez o cartaz de uma campanha para a pessoas "tombarem" suas propriedades privadas.
"Assim que eu pude, dei entrada com o pedido de criação de uma reserva aqui", conta. "Amigos diziam que eu estava louco."
A decisão rápida de Follmann, imigrante húngaro que deixara seu país durante a Segunda Guerra Mundial, fez com que se tornasse o primeiro proprietário de uma RPPN em São Paulo. Hoje, o órgão federal que homologa as reservas, o Instituto Chico Mendes, lista no Estado a criação de outras 41.
Follmann diz que não passou pela cabeça a possibilidade de sua propriedade se desvalorizar e de que ele perderia dinheiro caso tivesse de vendê-la.
"Não temos necessidades financeiras prementes, então posso me dar ao luxo de pensar que não vou ter de vender o sítio", diz. "Eu considero a propriedade uma coisa ilusória. Nunca fiz nada para merecer este terreno aqui. Eu tive o dinheiro para comprar, claro, mas isso é uma coisa circunstancial."
Hoje, ele mora com sua mulher, Kirsten, em uma casa modesta que construiu na propriedade. O sítio é também seu local de trabalho. Só permanecendo no local, diz, é possível protegê-lo também. Na porta de seu ateliê fica permanentemente encostado um abafador de fogo.
"Há vândalos de plantão que botam fogo no mato só para se divertir", diz. O pior período é o de seca, de junho a agosto, quando chamas se alastram rápido. Ele e a mulher, de 82 anos, apagavam incêndios sozinhos até o ano passado, quando ela fraturou a perna. "Agora tem de ficar um pouco de molho."

    Marcelo Gleiser

    folha de são paulo
    Universo-máquina e liberdade
    Se o Cosmo é determinístico, a "máquina" existe além de nossa capacidade de cálculo, como uma versão de Deus
    na Semana passada, escrevi sobre a questão do livre-arbítrio, se somos ou não agentes de nossas próprias decisões. Essa reflexão foi despertada pelo livro de Sam Harris sobre o assunto e por minha participação numa mesa redonda sobre o tema. Harris, que tem doutorado em neurociências, é um autor conhecido nos EUA. No livro, diz que a sensação que temos de controlar nossas ações não passa de uma ilusão.
    Harris não tirou sua conclusão do nada. Vários experimentos realizados nas últimas duas décadas mostram que a decisão é tomada antes que o sujeito tenha consciência disso. Nesses experimentos, o cérebro age antes da mente.
    Argumentei que a questão não é tão simples, que não pode ser reduzida a um simples sim (o livre-arbítrio existe) ou não (escolhas são todas de forma subconsciente). Há todo um espectro de decisões que tomamos na vida que exige ponderação mais profunda. Esses casos são muito diferentes dos investigados no laboratório. E, aqui sim, me parece que o livre-arbítrio, compreendido como nossa habilidade de fazer escolhas mesmo sob uma série de condições, tem seu papel.
    Porém, não mencionei a questão do determinismo, essencial numa discussão sobre o livre-arbítrio. Na física, um sistema é determinístico se seu comportamento futuro (e passado) pode ser obtido de seu comportamento presente. Na prática, sistemas físicos determinísticos são descritos por equações que permitem esse avanço preciso no tempo.
    A imagem que temos é a de um relógio que vai avançando seguindo as leis da mecânica. Daqui vem a metáfora do Universo-relógio, que foi tão importante nos séculos 18 e 19, culminando com a declaração do francês Pierre Laplace: se uma supermente conhecer a posição e a velocidade de todas as partículas existentes no Cosmo em um determinado instante, poderá prever suas posições futuras com precisão. Nesse caso, tudo é predeterminado pelas leis da mecânica: eu ter escrito este ensaio, o país que ganhará a Copa, a inflação no ano 2045.
    É claro que, no caso de um determinismo perfeito, o livre-arbítrio não existe. Somo todos autômatos, seguindo uma coreografia predeterminada. Não é à toa que os românticos detestavam a mecanicidade da ciência do século 19.
    Felizmente, esse determinismo é impossível. Não podemos saber a posição e velocidade de todas as partículas que existem num mesmo instante: como medir à distâncias de bilhões de anos-luz? Ademais, sistemas com interações complexas (do Sistema Solar a um cérebro) são sensíveis à precisão com que sabemos a posição e velocidade de seus componentes. Como nenhuma medida tem precisão absoluta, não podemos prever o futuro distante.
    A física quântica também impõe limites na precisão das medidas de posição e velocidade de uma partícula. Do nosso ponto de vista, o determinismo é inviável, especialmente para sistemas complexos como o cérebro ou a sociedade.
    A alternativa é que o Cosmo seja determinístico e que nós sejamos incapazes de saber como isso ocorre. A "máquina" existiria além de nossos instrumentos ou capacidade de cálculo. Me parece que esse tipo de determinismo é uma outra versão de Deus: onisciente, inescrutável e impossível de ser comprovado.

      Calor e luz - Sérgio Dávila

      folha de são paulo
      Calor e luz
      SÃO PAULO - Pela primeira vez, Barack Obama citou Edward Snowden pelo nome. Foi na sexta, quando fez uma prestação de contas pro forma sobre o alcance da arapongagem norte-americana. "Não vou me alongar sobre as ações ou motivações do sr. Snowden. Mas direi que nosso sistema de defesa depende em parte da fidelidade daqueles a quem foram confiados os segredos de nosso país."
      Para ele, a discussão sobre se o ex-prestador de serviços da CIA é herói ou traidor levantou um debate que "tem gerado mais calor do que luz".
      O presidente respondia a setores da opinião pública que pedem perdão ao ex-analista de inteligência, exilado na Rússia. Em 2013, o delator revelou ao mundo a invasão de privacidade sem precedentes de pessoas e países feita pela NSA, o leviatã da espionagem americana.
      O ministro da Justiça de Obama já escrevera ao colega russo pedindo extradição. Na carta, afirma que o ex-técnico não será condenado à morte nem submetido a tortura --curiosa época a nossa, em que os EUA têm de prometer à Rússia que não torturarão um prisioneiro.
      Snowden tem três opções. Continuar em Moscou, o que ele não quer; conseguir asilo em outro país, e aqui o Brasil tem sua preferência; ou voltar para casa e sofrer as consequências.
      O caso a favor do asilo brasileiro não é fraco. Snowden é uma fonte jornalística tão importante quanto a que revelou o Watergate. Mas parece pouco provável que Dilma compre essa briga.
      Sobra a volta aos EUA. Um juiz já entendeu que com seus atos o governo viola a 4ª Emenda da Constituição, que proíbe buscas arbitrárias. Críticos dizem que se Snowden viu algum malfeito deveria ter levado a seus superiores, não ao público.
      O seu julgamento, se acontecer, pode provocar a regulamentação e o redimensionamento por governos e empresas de tecnologia do uso de ferramentas de invasão de privacidade. Um debate com calor e luz, eis o verdadeiro legado de Snowden.

      Carlos Heitor Cony

      folha de são paulo
      Deus
      RIO DE JANEIRO - A pergunta fundamental, a única que realmente é pergunta, pois todas as demais são respostas disfarçadas, é a da existência de Deus. Se Deus existe ou não, é problema da filosofia. Se eu creio ou não em Deus, é o meu problema.
      Ao terminar um romance coloquei na boca de um personagem a frase que podia ser minha: "Deus acabou". Friso: não fiz o personagem afirmar: "Deus não existe". Ou: "Não creio em Deus". Faço-o dizer como eu mesmo me digo nas horas de angústia e tédio: Deus acabou.
      Nos idos do passado, fui participar de um programa de TV apresentado por Ary Barroso, que mantinha uma espécie de debate sobre determinado assunto. Fui lá com o Austregésilo de Athayde debater a emocionante questão: Deus existe? Austregésilo defendeu a afirmativa, a mim coube defender a negativa.
      Evidente, discutiu-se uma tese e não um problema pessoal. Ressuscitamos velhas questões, os argumentos de causalidade, os cinco famosos argumentos de São Tomás, a tese da realidade manifesta. O debate foi erudito e não se chegou a nenhuma conclusão. Athayde saiu de lá crendo, eu saí não crendo e Ary Barroso saiu ora crendo, ora não crendo.
      Posso hoje confessar: não fui sincero naquele programa. Não que realmente acredite em Deus, mas escamoteei meu verdadeiro pensamento. Não me interessa saber se Deus existe ou inexiste. O que importa é que Deus acabou para mim. Tive Deus e gastei Deus demais. Fui um perdulário de Deus. Errei nos meus cálculos. Gastei demasiadamente um capital inesgotável. Ora, cada um de nós tem uma determinada quota de Deus. Meu capital não era tão grande como pensava, e gastei muito e depressa.
      Como o filho pródigo, fui impaciente e me atirei a gozar a fundo. Um dia, amanheci pobre e nu, disputando com os porcos os restos de comida que sobravam da mesa dos mais prudentes.

        O Maranhão de verdade - Flávio Dino

        folha de são paulo
        FLÁVIO DINO
        TENDÊNCIAS/DEBATES
        O Maranhão de verdade
        O choque entre o potencial rico e a pobreza abundante é o triste retrato do Maranhão de verdade. Quem está no topo do regime está desorientado
        Em artigo nesta Folha, a governadora Roseana Sarney sustenta que o Maranhão é um Estado rico e que vai muito bem ("O Maranhão de verdade", 12/1).
        De fato, o Maranhão tem muitas riquezas, mas isso não se reflete na qualidade de vida de grande parte da população, como revelam os indicadores sociais do nosso Estado.
        Esse é o paradoxo maranhense que a crise na segurança pública sublinhou para todo o Brasil.
        Temos um extenso território cortado por ferrovias e rodovias. Diferentemente de outros Estados do Nordeste, há água abundante em rios e lagos. Nosso litoral é o segundo maior do Brasil, propício à pesca em grande escala.
        O complexo portuário maranhense está localizado próximo aos principais mercados consumidores do mundo, o que aumenta a sua competitividade. A agricultura e a pecuária são intensamente exploradas em nossas terras.
        Nosso potencial para o turismo é reconhecido por todos, por exemplo com a beleza única dos Lençóis Maranhenses. Somos a terra de Gonçalves Dias, Ferreira Gullar, Nauro Machado e Zeca Baleiro, do bumba meu boi e de centenas de outros valiosos grupos culturais.
        No entanto, o Maranhão frequenta assiduamente as piores posições em todos os rankings de medição da qualidade de vida. Os maranhenses são atendidos pelo menor número de médicos e de policiais por habitante do país.
        Entre 2009 e 2013, o Maranhão seguiu o caminho inverso do Brasil no quesito educação. O número de analfabetos cresceu no Estado, passando de 19% dos maiores de 15 anos para 20,8% nessa faixa etária.
        Essas contradições entre o potencial riquíssimo e a pobreza abundante é o triste retrato do Maranhão de verdade. Após 50 anos de mando, os que estão no topo desse regime estão desorientados e descolados da realidade.
        Nada mais revelador do que o governo do Estado comprar toneladas de lagostas, camarões e caviar, complementadas por champanhes e uísques importados, para o consumo dos altos escalões do poder enquanto bárbaras cenas nos presídios maranhenses são veiculadas pelo mundo inteiro e as famílias ainda choram por seus parentes.
        É fundamental compreender que há direta conexão entre os problemas sociais e a configuração da política maranhense. O patrimonialismo praticado no Maranhão é o mais exacerbado da história brasileira.
        Isso faz com que os recursos públicos sejam direcionados visando, acima de tudo, à acumulação privada de bens, e essa é a causa principal para que tantas riquezas não se traduzam em serviços públicos minimamente razoáveis.
        Essa terrível crise do sistema penitenciário mostra que é urgente virar essa página em nosso Estado, assegurando a igualdade de todos perante a lei, o primado dos direitos fundamentais e a honesta aplicação do dinheiro público. Os valores da República precisam chegar ao Maranhão para que o nosso povo seja rico de verdade. Essa é uma causa que interessa a todo o Brasil.

        Liderança em downloads ilegais 'é melhor que Emmy' para Time Warner

        folha de são paulo

        Nelson de Sá

        Aos poucos, Hollywood aprende a parar de se preocupar e a amar a pirataria.
        Questionado sobre downloads ilegais ao anunciar o balanço da empresa há seis meses, o presidente da Time Warner, Jeff Bewkes, disse que "Game of Thrones", pelo jeito, "é a série mais pirateada do mundo". "E isso é melhor que um Emmy."
        Para a maior corporação de mídia do mundo, com subsidiárias como a HBO, a pirataria "é um tremendo boca a boca" e serve de porta de entrada para futuros clientes, dispostos a pagar.
        Terminou o ano e, de fato, a Time Warner acaba de ganhar seu prêmio "melhor que um Emmy". Pelo levantamento do site holandês TorrentFreak, referência mundial em downloads ilegais, "Game of Thrones" foi a série mais pirateada de 2013.
        O site cobre pirataria, mas não faz. Em entrevista, seu fundador e editor, de pseudônimo Ernesto van der Sar, afirma que "uma das principais razões para as pessoas piratearem é não haver alternativas legais à disposição".
        Dá como exemplo o que acontece com "muitos novos filmes e séries de TV dos Estados Unidos", inclusive por aqui: "É frequente o caso no Brasil, devido aos atrasos nos lançamentos".
        Além dos atrasos, cita "outras barreiras, como o preço, que tende a pesar mais nos países em desenvolvimento" —como Brasil e China, que a associação dos estúdios americanos (MPAA, na sigla em inglês) considera "mercados notórios" de pirataria.
        Jeff Bewkes não ficou no discurso. Na segunda, a HBO liberou os primeiros episódios da nova temporada de "Girls" no YouTube 12 horas após a exibição na TV nos EUA.
        E a Time Warner não está sozinha. Duas semanas atrás, a BBC liberou o acesso on-line ao primeiro episódio da nova temporada de "Sherlock", via Youku Tudou, o YouTube chinês, duas horas após ir ao ar no Reino Unido.
        Confirmando que a indústria começa a lidar com a questão de forma mais complexa, o Netflix afirmou, ao lançar seu serviço on-line na Holanda, que usa downloads ilegais como parâmetro.
        "Na compra de uma série, miramos o que tem bom desempenho nos sites piratas", declarou a vice-presidente mundial de compra de conteúdo do Netflix, Kelly Merryman, ao site holandês Tweakers, citando "Prison Break" como exemplo.
        Editoria de Arte/Folhapress
        HÁBITO
        Se parte de Hollywood já vê utilidade na pirataria, não faltam alertas do contrário.
        Para cada Vince Gilligan, produtor de "Breaking Bad" que diz que os downloads ilegais "ajudaram" a popularizar a série, há uma Gale Hurd, de "The Walking Dead", que chama as evidências de efeito positivo de "piada".
        "Colegas meus têm uma crença equivocada de que pirataria é bom e quem vê desenvolve o hábito de pagar", disse Hurd há um mês, em evento antipirataria, acrescentando que "cria um hábito sim": não pagar nunca.
        Ernesto, do TorrentFreak, diz que a crença "tem sua razão: nem sempre é fácil para o pirata abandonar o hábito, mesmo com alternativas legais gratuitas". Cita a estreia de "The Walking Dead" neste ano: mesmo liberada por "streaming" pelo AMC, foi alvo de "download em massa".
        A Fox, de séries como a recém-premiada "Brooklyn Nine-Nine", vai além.
        "Não podemos justificar a pirataria para ganhar audiência", diz Daniel Steimetz, "oficial-chefe antipirataria" da Fox International Channels. "Pelo contrário, temos de criar consciência na sociedade, fazendo-a entender que é um ato desprezível, punido pela lei, que afeta toda a indústria." A Fox, relata Steimetz, está "à frente da luta contra a pirataria na última década, tendo sido a primeira da América Latina a criar alianças estratégicas".
        Duas semanas atrás, por outro lado, a mesma Fox veiculou nos EUA um episódio de "Os Simpsons" em que Homer, diante da dificuldade em assistir a um filme do qual todos falam, aprende com Bart como fazer download no site fictício The Bootleg Bay. 
        Canais aceleram trabalho de legendadores
        GIULIANA DE TOLEDODE SÃO PAULOSe os canais correm para lançar as séries no Brasil cada vez mais perto da data de estreia no exterior, o trabalho das empresas que legendam episódios também precisou ser acelerado.
        O tempo de preparação das legendas de um capítulo caiu pela metade: em média, de uma quinzena para uma semana, conforme Drei Marc e Gemini, empresas líderes no serviço no país. Ambas têm como clientes grandes canais de TV por assinatura.
        Apesar de reduzido nos últimos dois anos, o prazo ainda é longo se comparado ao de 24 horas, estabelecido por equipes amadoras de legendagem, que publicam suas traduções gratuitamente na internet.
        Esses arquivos são usados para acompanhar vídeos baixados em sites piratas antes do lançamento oficial no país.
        "A pirataria estimula a criação de legendas não oficiais", diz Carlos Neves, diretor de proteção de conteúdo da divisão latino-americana da MPAA. A entidade, composta pelos estúdios Sony, Warner, Fox, Paramount, Disney e Universal, se diz contrária às "legendas piratas".
        A equipe inSUBs, a maior do site legendas.tv --página que reúne diversos grupos brasileiros--, traduz em até um dia cada novo capítulo de algumas das 26 séries de que cuida. As atrações mais famosas têm prioridade na entrega.
        A inSUBs tem cerca de 140 membros --número semelhante ao de colaboradores das empresas. Cada capítulo é dividido em até oito pessoas, que o traduzem simultaneamente, para compor o arquivo final.
        "Fica um Frankenstein", avalia Marcelo Leite, diretor do controle de qualidade da Drei Marc, sobre o método amador. "Aqui priorizamos a qualidade e a unidade, não a velocidade", explica.
        Além da rapidez, a tradução informal privilegia o gosto do tradutor, e os envolvidos não ganham nenhuma remuneração.
        "A gente cuida das séries de que gosta. É um trabalho de fã. Não recebemos nada a não ser gratidão", diz à Folha Ivanz (apelido), 28, um dos administradores da inSUBs.
        O morador de Brasília, que não revela seu nome, trabalha na área administrativa de um banco e, nas horas vagas, se dedica a revisar as legendas da série "The Good Wife". A tarefa lhe exige dez horas de dedicação a cada episódio.
        No mercado formal, cada episódio rende ao tradutor de R$ 150 a R$ 500, a depender do grau de dificuldade do conteúdo.
        Com a experiência adquirida na informalidade, muitos passam a trabalhar também como profissionais. Moacyr Lopes, diretor da Gemini, calcula que 20% dos seus atuais freelancers tenham começado na internet.

          José Simão

          folha de são paulo
          Ueba! Maranhão vira Lagostão!
          'Senadores fazem inspeção em Pedrinhas.' E ninguém se lembrou de trancar a porta por fora? Rarará
          Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Piada Pronta: "Polícia flagra racha de charretes em Botucatu". É remake de "Ben Hur"? E como eles dão cavalo de pau em charrete? Rarará.
          "Senadores fazem inspeção em Pedrinhas". E ninguém se lembrou de trancar a porta por fora? Rarará.
          Três fatos abalaram a semana: Maranhão, rolezinhos e o terno vermelho do Messi! Ele tava parecendo garçom de puteiro! Cantor de festa de casamento! Mágico do Circo Vostok!
          Mas nada bate aquele smoking do ano passado: preto com bolinhas brancas. Galinha de Angola! O Messi tem duas estilistas: a filha do Dunga e a estilista do Faustão!
          E o Maranhão? Ops, Lagostão! Maranhão vira Lagostão! Roseana Sarney é desgovernadora do Estado do Lagostão! E aí perguntaram pro Sarney: "Como é que os presídios ficaram nessa barbárie?". "Culpa do meu antecessor!". "Quem?". "Dom Pedro 2º". Rarará!
          E os rolezinhos? Posso entrar no shopping de bermuda Bob Marley? Não, só com polo de gola levantada e Visa no bolso!
          Facebook Urgente! Represália! Tá agendado um rolezinho de coxinhas em Heliópolis. No bar do Russo! Com manobrista e transmissão direta do "Cidade Aleta". E um participante: "Como é que tá o asfalto lá? Meu Fusion é rebaixado".
          E as autoridades estão atentas! Alckmim lança rodízio de rolezinhos e pedágio em porta de shopping. E o Haddad vai criar faixa exclusiva para rolezinhos dentro dos shoppings. E o mauricinhos estão agendando um rolezinho na periferia de Miami. Rarará.
          E a PM chama bala de borracha de "munição elastômera". Já imaginou? "Cuidado! Lá vem uma munição elastômera". PUNF! Rarará!
          E socuerro! Todos para o abrigo! Me mate um bode! Começou o "BBB"! Abriram o açougue! A Turma do Friboi! As Gostosas do Friboi e os Rinocerontes de Sunga! E a pérola do programa: "A maldade tá no olho de quem vê e no volume da sua sunga". PAF!
          E eu já disse que a próxima geração no Brasil vai nascer falando "Oi, Bial!". Papai, mamãe e oibial. Oibial virou uma palavra só! Rarará!
          E um amigo está numa pousada no Nordeste com o cartaz: "Quem quiser café na cama, vá dormir na cozinha". Concordo! Rarará!
          Nóis sofre, mas nóis goza.
          Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!