sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Larry Rother

folha de são paulo
Para fazer o papel de Northup, Ejiofor explorou porte e olhar
LARRY ROHTERDO "NEW YORK TIMES"
Um ano antes de o ator Chiwetel Ejiofor começar a filmar "12 Anos de Escravidão", ele rodava um filme no Estado da Geórgia, onde fez um passeio turístico. Foi a um calabouço do século 19, usado para manter prisioneiros os negros recém-chegados da África antes que fossem leiloados.
"Perguntei ao guia para que serviam as argolas na parede", contou Ejiofor. "Ele respondeu que eram usadas para prender os ibos [grupo étnico africano]. E eu disse a ele que era ibo."
"É nesse momento que você percebe que também esteve lá. É seu sangue."
Se "12 Anos de Escravidão" está disputando o Oscar de melhor filme e outros prêmios, isso se deve em larga medida à poderosa e inquietante interpretação de Ejiofor, 36, para a história de Solomon Northup.
O diretor do filme, Steve McQueen, disse que ele sempre foi sua escolha para o papel. Foi o porte de Ejiofor que o convenceu de que ele seria o ator ideal.
"Para mim, Chiwetel tinha a classe que eu precisava mostrar na tela", diz.
Ejiofor mergulhou na preparação, viajando de Calabar, porto nigeriano que servia de polo ao comércio de escravos, à Louisiana rural, do outro lado do Atlântico.
Em alguns dos momentos mais expressivos de Ejiofor, diante de seu cruel feitor, ele não fala, e usa a linguagem corporal, especialmente o seu olhar, para transmitir o que Northup sente. McQueen descreve isso como uma "interpretação tai chi".
"Desde o primeiro dia, meu foco esteve em seus olhos", disse. "Conversávamos sobre como usar o rosto para traduzir linguagem."
Ejiofor vive em Londres. Nasceu lá, no bairro de Forest Gate, para onde seu pai, médico, e sua mãe, farmacêutica, emigraram depois do colapso do Estado separatista de Biafra, na Nigéria, onde os ibos eram maioria.
"Tínhamos prateleiras repletas de clássicos", diz Zain Asher, irmã de Ejiofor. "Nossa mãe acreditava que educação era liberdade. Chiwetel ficava em seu quarto lendo Shakespeare em voz alta da manhã à noite."
"Lembro que quando consegui meus primeiros trabalhos, outro ator me disse que se não mudasse de nome, interpretaria muitos africanos", diz Ejiofor. "Foi uma das coisas mais ofensivas que me disseram. Disse que minha família vinha da África e tinha muita vontade de interpretar africanos."

José Simão

folha de são paulo
Ueba! Não Vai Ter Churrasco!
Bloco Amasso o Pão, mas Não Queimo a Rosca. Serviço incompleto! É Carnaval! Libera essa rosca!
Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Piada Pronta: "Na próxima vez, bote um biquíni na mala', diz prefeito de Maceió a Dilma". NÃO! NÃO BOTE! Nem um maiô Catalina dos anos 50! O prefeito é tucano, ele tá querendo te sacanear! É uma manobra tucana das mais sórdidas! Rarará!
E o Rio, tudo parado, ninguém consegue andar, um caos. Diz que o Paes transformou os cariocas em CARIOCAOS! Cariocas viram cariocaos!
E essa: "Protestos de rua terão que ter aviso prévio". Como diz o chargista Nicolielo: vai ter que ter alvará. Isso! Protesto, agora, só com alvará! Já imaginou os manifestantes gritando: "Não Vai Ter Copa! Saúde! Educação! Padrão Fifa". E a PM: "TEM ALVARÁ?". Não? POW! Rarará!
E onde tiro o alvará pra gritar: "Não Vai Ter Sábado! Não Vai Ter Motel! Não Vai Ter Churrasco! Não Vai Ter Jacuzzi!"? Rarará!
E o Pato vai estrear em Alagoas. Ou seja, vai nadar um bolão! Rarará! E atenção! Faltam oito dias pro Carnaval! E a clássica pergunta: "Onde você vai passar o Carnaval?". Pulando! Pulando e copulando. Rarará!
Como diz uma amiga minha: "Tendo mais de 1,45 m e um coração batendo, eu pulo em cima".
E os blocos já tão na rua! Direto do Maranhão, o bloco Chupa Mas Não Morde. Deve ser da família Sarney. Ops, me enganei. A família Sarney chupa e morde! Rarará!
E direto do Recife, o bloco Metido a Corno. Olha, eu já vi metido a besta, metido a rico, mas metido a corno só no Recife. Rarará!
E direto do Rio, o bloco Amasso o Pão, mas Não Queimo a Rosca. Serviço incompleto! É Carnaval! Libera essa rosca! Rarará!
E esse bloco do Rio é o meu predileto: É Mole, mas É Meu! Cúmulo da autoestima. Rarará.
É mole? É mole, mas sobe! Ops, é mole, mas é meu!
O Brasil é Lúdico! Olha essa placa numa empresa: "Regras de Convivência! Não pode bilisca. Não chutar nem mostrar a língua. Não pode morder. Não pode dizer que vai matar os colegas. Não pode apilhidar os colegas". Que lugar chato! Não pode nada! SÓ TRABALHAR?!
E em Barretos tem essa avícola: "Aves e Ovos Alves". Isso não é uma avícola, é um poema concreto. Rarará! Ainda bem que nóis sofre, mas nóis goza! Hoje, só amanhã.
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

A manobra de Azeredo [editorial folhasp]

folha de são paulo
A manobra de Azeredo
Ex-presidente do PSDB usa renúncia como artifício para retardar análise do mensalão tucano e minimizar efeitos político-eleitorais do caso
Ainda que motivos pessoais tenham contribuído para a decisão, a renúncia de Eduardo Azeredo (PSDB-MG) a seu mandato de deputado federal tem indisfarçáveis propósitos políticos e jurídicos.
Ex-presidente do PSDB e ex-governador de Minas Gerais, Azeredo é acusado de desviar recursos públicos para abastecer sua campanha ao governo mineiro, em 1998. Mediante contratos fraudulentos e empréstimos dissimulados, pelo menos R$ 3,5 milhões foram parar nos cofres tucanos, sustenta o Ministério Público Federal.
Com a participação do famigerado publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza, condenado no julgamento do mensalão petista, o esquema teria sido "a origem e o laboratório" dos crimes cometidos anos depois, no governo Lula.
Pela recorrência de personagens e semelhança nos métodos de desvio --embora não no que respeita à finalidade--, o episódio ficou conhecido como mensalão tucano, ou mineiro. A Procuradoria-Geral da República denunciou o caso em 2007; em 2009, a ação foi aceita pelo Supremo Tribunal Federal, onde estava prestes a ser julgada.
"Estava" porque, com a renúncia --um direito seu--, Azeredo criou um problema para o relator, Luís Roberto Barroso. O processo do tucano deve ser analisado pelo STF, uma prerrogativa ligada ao cargo de deputado, ou deve ser remetido à primeira instância da Justiça, o que retardaria seu desfecho?
Situações análogas já foram decididas de formas divergentes. Em 2007, o então deputado federal Ronaldo Cunha Lima (PSDB-PB) abriu mão do mandato pouco antes de seu julgamento por tentativa de homicídio. Por 7 a 4, a corte resolveu enviar os autos a João Pessoa.
Três anos depois, a maioria dos ministros tomou caminho oposto ao apreciar o caso do hoje recém-cassado Natan Donadon (ex-PMDB-RO). Por 8 a 1, prevaleceu o entendimento da ministra Cármen Lúcia, de que a renúncia se tratava de "fraude processual inaceitável". O próprio STF, no ano passado, condenou o deputado por formação de quadrilha e peculato.
Vê-se que o exame pelo Supremo não favorece a impunidade, como por vezes se pensa do "foro privilegiado". Não há benefício em ser julgado por instância única, e o foro especial existe para assegurar a imparcialidade diante de figuras de peso político. Tribunais superiores, em tese, estão mais protegidos contra pressões.
Vale lembrar, ademais, que, no âmbito do Legislativo, diversos parlamentares abdicaram do cargo para escapar de punições. O escárnio gerou justificadas reações da sociedade e, em 2010, a Lei da Ficha Limpa tornou inelegível quem renunciar para fugir da cassação.
Não é difícil ver que a manobra de Eduardo Azeredo tem o intuito de atrasar a análise do mensalão tucano, minimizando seus efeitos político-eleitorais. É natural que seja essa a sua preocupação. A do STF, entretanto, deve ser a de fazer a justiça andar.

    Helio Schwartsman

    folha de são paulo
    Maconha pelas razões erradas
    SÃO PAULO - É claro que cada um é livre para defender o que achar melhor, mas devo dizer que algo me incomoda na estratégia de grupos de ativistas de pressionar pela legalização da maconha com base em suas propriedades medicinais.
    Não me entendam mal. Sou pela legalização não só da maconha como de todas as drogas. É fato ainda que a Cannabis apresenta várias moléculas de interesse médico, que deveriam ser exploradas clinicamente.
    O que não me parece muito certo na tática escolhida é que ela aposta na corrosão das normas e não em sua modificação, como seria mais honesto. Foi este o caso de alguns Estados norte-americanos, que passaram a admitir o uso de maconha em contexto médico e logo viram surgir uma indústria de consultas com profissionais de saúde cujo único intuito era encontrar uma "moléstia" que justificasse a emissão da carteirinha de usuário para qualquer um que desejasse. Com ela, o paciente poderia comprar a erva para tratar quase tudo, de dor nas costas a caquexia.
    Não gosto desse caminho por várias razões. A mais trivial é que ele contribui para esvaziar a própria noção de lei. Apesar da miríade de normas estúpidas que assola o mundo, a ideia de que a sociedade pode impor regras que valem para todos os membros ainda é fundamental.
    Também me parece ruim associar a maconha com remédio. Isso pode fazer com que se perca de vista que se trata de uma droga, ou seja, que vem com uma porção de efeitos colaterais que podem ser danosos.
    Mais importante, a estratégia de comer pelas beiradas faz com que as pessoas deixem de travar o bom combate. Ao circunscrever o debate da legalização apenas à maconha e pelas razões erradas, perde-se a oportunidade de formular o argumento essencial, a saber, que o Estado não tem legitimidade para decidir o que um cidadão, de posse das informações relevantes e sem prejudicar terceiros, pode fazer consigo mesmo.

    A natureza da culpa - Marina Silva

    folha de são paulo
    A natureza da culpa
    Recebo notícias preocupantes do Acre, onde a enchente dos rios já obriga muitas famílias a buscar abrigos públicos. Mais grave está em Rondônia: o rio Madeira espalha-se nas cidades e áreas rurais, cobrindo até um trecho da estrada federal e impedindo o transporte de pessoas e mercadorias.
    No Sudeste, em São Paulo, o problema é mais complexo: se chove, a enchente traz destruição e ameaça vidas; se não chove, pode faltar água e eletricidade, com os reservatórios das usinas muito baixos.
    Mas o mais preocupante é o despreparo de nosso país em lidar com situações que se repetem todos os anos --ainda mais com o agravamento dos eventos climáticos extremos, anunciados há bastante tempo. Uma enchente súbita pode ser um fenômeno natural, mas os prejuízos repetidos denunciam o descaso e a falta de planejamento.
    O que vem depois da "criminalização" da natureza? A judicialização é impossível, pois não há como processar a chuva nem a seca. E a acusação de ser contra o progresso, de pessimismo ou até de ecoterrorismo pesa sobre todos os que tentam alertar para o desastre antes que ele aconteça.
    Circulam na internet fotos impressionantes de enchentes em conjuntos habitacionais construídos há pouco tempo e ainda não ocupados. É um absurdo o desperdício dos recursos públicos que escorrem, literalmente, por água abaixo. Mas ai de quem ouse comparar esse descaso com o luxo do "padrão Fifa" exigido para a Copa. O governo parece querer restringir o debate ao desempenho da seleção ou, talvez, à escalação do time.
    E, nas eleições, vamos debater qual partido tem o escândalo mais condenável? Se descuidarmos, até o grave problema da corrupção poderá desviar-se para a disputa política superficial, a troca de acusações, sem a busca sincera e eficaz de superação e mudança.
    Já passa da hora de acordar. A crise não está batendo à porta, já entrou em casa. A evidência da crise ambiental conseguirá mudar a avidez pelo lucro imediato ou pela popularidade fácil das obras apressadas? Veremos que a crise de valores, base da desconexão com a natureza, é a mesma que nos empurra para o abismo da corrupção? Resta a esperança de que a indignação de amplas parcelas do povo seja a energia necessária para mudar o rumo dos acontecimentos.
    O sonho não morreu. Nesta semana vi, na favela do Vidigal, uma comunidade mobilizada para limpar e embelezar o lugar, criar espaços de cultura e lazer por sua própria iniciativa. Em toda parte, há projetos e debates sobre energia, água, transporte, segurança e outros temas estratégicos. Só falta juntar as duas pontas: a ação das pessoas e a prospecção de novos rumos.
    Para o bem de todos, espero que esse encontro aconteça logo.

    Ruy Castro

    folha de são paulo
    Fim da infâmia
    RIO DE JANEIRO - Torcedores racistas imitam sons de macacos quando certos jogadores negros tocam na bola. Na semana passada, a vítima foi o atacante Tinga, do Cruzeiro, pela torcida do peruano Real Garcilaso. Em 2013, foi o marfinense Touré, do inglês Manchester City, pela do russo CSKA. Ainda em 2013, foi o italiano de pais ganenses Balotelli, do Milan, ante a do Inter --antes disso, na Croácia, os torcedores locais já lhe tinham jogado bananas. Em 2012, o brasileiro Juan, então no Roma, ante a do também italiano Lazio.
    A intolerância vem de longe. Em 2005, outro marfinense, Zoro, do italiano Messina, foi tão insultado pelos torcedores do mesmo Inter que, chorando, tentou abandonar o jogo --e só foi convencido a ficar pelo nosso Adriano. O problema é que atitudes isoladas são inúteis. Há pouco, Balotelli ameaçou sair de campo se voltar a ser insultado --apenas para ouvir de Michel Platini, presidente da UEFA, que, se fizer isto, levará cartão amarelo. Que vergonha.
    Não há esporte mais democrático do que o futebol. Todos os clubes possuem jogadores de diferentes idades, nacionalidades, origens sociais, níveis culturais --e etnias. Donde não tem sentido insultar um adversário negro. O clube de quem faz isto também deve ter jogadores negros. E, entre seus torcedores, idem, haverá negros.
    Ao ser ofendido, o jogador tenta ou finge ignorar os insultos, para não se desconcentrar do jogo. Mas, e se sua mulher ou família estiver nas arquibancadas? Omitir-se não será um sinal de covardia, fraqueza, submissão? Pois basta isso para que se perca a concentração.
    Uma forma de acabar com tal infâmia seria o alto-falante anunciar, logo às primeiras macaquices, que, se aquilo continuar, o jogo será encerrado com a vitória do time do jogador humilhado. Mesmo que esteja 10 x 0 para o dos que humilham.

    Jornal 'Libération' é vítima da sua própria história - Mario Sergio Conti

    folha de são paulo
    De Mao a Rothschild
    A debacle do 'Libération' não se deve apenas às forças que assediam os jornais em toda parte
    A maior façanha do jornal francês "Libération" é ser publicado. De crise em crise, o noticiário pífio, os tristes títulos com trocadilhos e as batalhas internas geraram um turbilhão perpétuo de asneiras. Ninguém, no gozo de faculdades mentais apenas razoáveis, cogitaria saber pelo "Libé" o que se passa, digamos, na Ucrânia. Ou mesmo em Nice.
    Nas últimas semanas, as vendas caíram abaixo de 100 mil exemplares, a trincheira que separa o jornal da catástrofe. A publicidade minguou a microcifras e a macrodívida tornou-se super-hiper. Como um tenentinho em Waterloo, tombou mais um diretor de Redação. Foi preciso reagir rápido à fúria dos credores. Os donos do jornal se juntaram ao Napoleão disponível, o decorador hipster Philippe Starck, e surtaram.
    Propuseram transformar a redação do "Libération" num café antenado, o "Flore do século 21". O espaço cultural multifunções abrigaria palco de televisão, rede social, incubadora de start-ups, estúdio de rádio e "lounge" com computadores. Que tal? "Espaço cultural multifunções" não é uma boa ideia para o Itaquerão depois da Copa?
    Numa mistura adúltera de parnasianismo gaulês com MBA ianque, os proprietários disseram que, ou bem se tinha "outra visão", e se "monetizava a marca", ou então era a "falência". A Redação retrucou com um gênero literário fora de moda, o manifesto iracundo, e o fez preceder por uma patética manchete: "Nós somos um jornal". Dá para jurar: não parece.
    Criou-se a editoria Nós Somos um Jornal. Ela publica todos os dias análises sisudas e profusas dos suspeitos de sempre. Os teclados estão de prontidão nas barricadas jornalístico-culturais parisienses. Cogita-se ocupar a Redação. Cantarão "A Marselhesa"? Um rap? É tudo bem engraçado. Sobretudo porque não é o nosso jornal que soçobra: Suave, mari magno...
    A debacle do "Libération" não se deve apenas às forças que assediam os jornais em toda parte: a internet, os jornais gratuitos do metrô, o envelhecimento dos leitores fiéis. O jornal é vítima da sua própria história, que parece uma parábola.
    Na esteira do Maio de 68, ele foi fundado para, conforme dizia, "dar a palavra ao povo". Não aceitava publicidade e todos tinham direito de voto na Redação. Ele se definia como "uma emboscada na selva da informação". Uma frase de Marx lhe servia de mote: "A primeira liberdade para a imprensa consiste em não ser uma indústria". Sartre foi o seu primeiro diretor de Redação.
    A efervescência social --entre 1971 e 1975, houve quatro milhões de dias de greves setoriais na França-- manteve o jornal vivo. Com o refluxo, vieram os problemas. Sartre, doente e com divergências, se afastou. Ex-estudantes maoístas se assenhoraram do jornal.
    Descobriram, encantados, que a revolução cultural chinesa era um mito. A utopia ao alcance da mão estava na Califórnia. Era lá a terra das bandas de garagem, da ecologia, das drogas, do narcisismo assumido, dos costumes liberados, da informática e do espiritualismo new age. Sindicatos e salários, emprego e condições materiais de vida viraram velharias no "Libé". O historiador Pierre Rimbert define assim a sua receita editorial: "Conformismo político, ortodoxia econômica e excentricidades culturais".
    O jornal aceita publicidade e subsídios estatais, e uma empresa que se envolve nas tramoias da política institucional. "Libération' é a destruição positiva do esquerdismo", explicou, em 1986, Serge July, o seu diretor de Redação. Foi ele quem convenceu Édouard de Rothschild a investir no jornal. Rothschild é herdeiro de uma fortuna bancária, um diletante cujo interesse é a criação de cavalos. Virou o maior acionista, o dono de fato do jornal. O banqueiro demitiu July. Agora, cansou-se do hobby e quer se livrar do "Libération".