quarta-feira, 16 de abril de 2014

Despedida de Claudia Costin da Secretaria Municipal de Educaçao do Rio de Janeiro


  1. 32. Aos professores e demais profissionais de Educação, muitos deles entre os meus 65.000 seguidores no TT, saudades...
  2. 33. Maior ainda pois a Helena fez parte desta história desde o início, passando a ser minha subsecretária.
  3. 32. À Helena Bomeny, todos os meus votos de sucesso! Ser sucedida por uma professora da rede, é uma grande alegria.
  4. 31. Fui indicada para ocupar a diretoria global de Educação do Banco Mundial, o que muito me honrou. Começo lá no dia 1/.
  5. 30. Mas saio com a certeza de que juntos, professores, gestores e demais profissionais, avançamos nesta direção.
  6. 29. Ainda há muito o que ser feito, uma transformação sólida em Educação leva décadas.
  7. 28. Contei também com o apoio e a orientação do Prefeito Eduardo Paes, a quem sou muito grata.
  8. 27. Tudo isso foi possível pois contei com 1 equipe extraordinária, capitaneada p/ Helena Bomeny, Paulo Figueiredo e Rafael Parente
  9. 26. Um Ginásio de Novas Tecnologias Educacionais permitiu um ensino personalizado e cooperativo, celeiro de inovações para a rede
  10. 25. Pudemos também criar três Ginásios Experimentais Olímpicos para os atletas da nossa rede, um de Artes e um do Samba.
  11. 24. Passamos a ensinar Inglês desde o 1º ano em toda a rede e criamos 4 escolas bilíngües, 3 Português-Inglês e 1 Português-Espanhol
  12. 23. Organizamos também "cartilhas" para os pais, orientando-os sobre a vida escolar de seus filhos, para uso em reuniões aos sábados
  13. 22. Para eles, também criamos cadernos e aulas na Educopédia.
  14. 21. Pudemos avançar também na Educação de Jovens e Adultos, focando mais nos pais dos nossos alunos, com o programa "Sou Pai, sou Aluno"
  15. 20 b) ampliação da jornada escolar. Temos hoje 642 escolas em tempo integral na 1ª modalidade e quase 20% dos alunos na 2ª
  16. 20 b) ampliação da jornada escolar. Temos hoje 642 escolas em tempo integral na 1ª modalidade e quase 20% dos alunos na 2ª.
  17. 19. Pudemos também avançar na Educação Integral em duas modalidades, a)com atividades de reforço, Artes e Esportes no contraturno e
  18. 18. Isso foi possível pois criamos um Currículo Municipal mais preciso e especificado que precisa as expectativas de aprendizagem a cada ano
  19. 17. Instrumentos preparados por professores, para professores, de uso facultativo.
  20. 16. Criamos instrumentos de apoio ao professor, como os cadernos pedagógicos e a Educopédia, um portal de aulas digitais
  21. 15. Só este ano, tivemos aumento de 39% de matrículas de novos alunos com deficiências e investimento forte na capacitação de professores
  22. 14. Pudemos avançar, junto com os pais das crianças com deficiências, na ampliação da Educação Especial , numa perspectiva inclusiva.
  23. 13. Um sistema forte de reforço escolar em que diferentes modalidades foram sendo criadas para alunos que aprendem em ritmos diferentes.
  24. 12 . Ousamos inovar e experimentar, com iniciativas construídas junto com a rede, como o 6º ano experimental, os Ginásios Experimentais
  25. 11. num contexto de ampliação vigorosa de oferta de vagas em creches.
  26. 10. Currículo próprio desde a creche, avaliações sistemáticas do trabalho e criação dos Espaços de Desenvolvimento Infantil
  27. 9. Colocamos a Educação Infantil em outro patamar, com a criação do cargo de Professor de Educação Infantil,
  28. 8. Diminuímos de 14% para 3,1% o percentual de crianças com analfabetismo funcional no 4º ao 6º anos na rede.
  29. 7. Introduzimos provas bimestrais que permitiram aos professores e gestores perceber o avanço de suas turmas frente à média da rede.
  30. 6. Pudemos juntos melhorar muita coisa: o aprendizado das crianças teve ganhos importantes, medidos por avaliações externas.
  31. 5. A cada dia dialogava aqui e por email com professores, diretores, agentes de Educação Infantil, outros profissionais de Educação e mães.
  32. 4. Mas como ser humano, sem medo de me expor.
  33. 3. Aprendi muito e me desafiei a ir além dos meus limites, a cada dia, num processo em que entrei inteira, não apenas como técnica e gestora
  34. 2. Foi uma experiência profissional extraordinária, certamente a melhor da minha vida.
  35. 1. Caros amigos e companheiros de jornada, estou deixando a Secretaria Municipal de Educação, depois de 5 anos e 3 meses à frente da pasta.

domingo, 13 de abril de 2014

Fingem não ver - Elio Gaspari

jornal o globo
FINGEM NÃO VER

Os sábios das ekipekonômicas tucanas sabem que o Planalto está deixando correr no Congresso a mutilação da Lei da Responsabilidade Fiscal por meio da alteração retroativa dos índices de cálculo das dívidas que os Estados e municípios têm com a União. Deram-lhe o nome de "novo pacto federativo", mas é apenas a velha e boa revisão de contratos já assinados pelas partes. Feita a mudança, os beneficiados ganham uma folga de algo como R$ 100 bilhões para gastar. Trata-se de aliviar os orçamentos dos governadores e prefeitos às custas da bolsa da Viúva federal. Todas as vezes em que isso foi feito, mais adiante, quebraram a Boa Senhora. Como há governadores e prefeitos do PSDB, é melhor mudar de assunto.
Duas plutocracias, dois museus
O Metropolitan de NY e o Museu de Arte de São Paulo retratam o andar de cima de cada uma dessas cidades
Em 1871 havia em Nova York uma das mais endinheiradas plutocracias da história. Era demófoba, antissemita e racista. Do nada, ela criou o Metropolitan Museum com a ajuda de um general e conde italiano, que não era general nem conde, apenas um finório. O museu só abriu ao domingos em 1889 porque pobre cospe no chão. Judeu no conselho, só em 1909. Negro, em 1971. Hoje o Met abre sete dias por semana, recebe 6 milhões de visitantes a cada ano e os nomes de seus 960 grandes benfeitores estão nas placas de mármore que ladeiam sua escadaria.
São Paulo também tem sua plutocracia. Graças ao jornalista Assis Chateaubriand, dono da maior rede de comunicação do país na metade do século 20, existe o Museu de Arte. Recebe 50 mil visitantes por mês e está arruinado, deve R$ 8 milhões e recentemente ganhou notoriedade quando dele saiu a proposta para gradear seu vão livre.
Na sua enésima encrenca, saíram do Masp duas notícias. Uma boa, outra ruim. A boa é que existe a possibilidade de os bancos Itaú e Bradesco apadrinharem a instituição, remodelando-a. A ruim é que os governos do Estado e da cidade querem participar da gestão do museu.
O Masp precisa blindar sua natureza privada. Os impostos estaduais dos paulistas sustentam uma boa instituição, a Pinacoteca, e uma ruína, o velho museu do Ipiranga, que está fechado. (O Masp, pelo menos, está aberto.) O governo de São Paulo e a prefeitura sustentam mais museus que os governos do Estado e da cidade de Nova York. Os americanos dão benefícios às instituições, às vezes têm assentos em seus conselhos, mas não se metem na gestão.
O Itaú, o Bradesco e quem mais estiver disposto podem transformar o Masp na vitrine de excelência e gestão de uma elite. Nos anos 70, quando Nova York e o Metropolitan viviam dias de crise, quem presidiu a mudança do museu foi um banqueiro. Douglas Dillon, que havia sido secretário do Tesouro de John Kennedy, apoiou uma política que reorientou a instituição para o povo. O museu preocupou-se sobretudo em exibir. Foi na sua presidência que expandiram-se as lojas de lembranças, transformadas em agradáveis mafuás. Hoje o Metropolitan opera uma máquina que é o sonho de qualquer banqueiro. Tem 170 mil pequenos contribuintes que a cada ano depositam cerca de 30 milhões de dólares, e não sacam.
NOSSO GUIA
Lula deu um jeito e conseguiu vestir seu velho macacão.
Com o tom paternal de um pai da pátria, faz oposição ao governo Dilma.
O MAPA DE VARGAS
Até bem pouco tempo o deputado André Vargas era um dos principais coordenadores da campanha de Gleisi Hoffmann ao governo do Paraná.
Hoje ele é um mapa das conexões do PT paranaense, mais precisamente do colégio eleitoral de Londrina.
Puxando-se um fio, viu-se que ele usava jatinho na conta do doleiro Alberto Youssef e ambos mercadejavam negócios no Ministério da Saúde atrás de uma "independência financeira".
Vargas fez sua carreira política no circuito ONGs-PT. Na campanha de 2010 adquiriu tamanha mobilidade que repassou doações legais para 13 candidatos do PT, no total de R$ 876 mil (R$ 45,8 mil para a doutora Dilma).
Londrina já teve um prefeito preso (Antonio Belinati), e outro, petista (Nedson Micheleti), condenado por improbidade administrativa. O poder do comissariado na região foi favorecido por sua aliança com o cacique José Janene, do PP, cujas pegadas apareceram no escândalo do mensalão.
As tramas de Youssef e Janene remontam à administração de Belinati, quando funcionou na Câmara Municipal um "mensalinho".
O PT de São Paulo carrega a cruz de sua aliança com Paulo Maluf. O do Paraná parece beneficiado por uma distração. Afinal, Janene conseguiu do comissariado coisas que Maluf nunca ousou pedir. Teve um pé na Visanet do mensalão e outro na Petrobras.
PAPUDA
O Ministério Público começou a colher os frutos do julgamento do mensalão e da formação da bancada da Papuda. Melhorou a memória de muitos depoentes, sobretudo a do doleiro Alberto Youssef.

EREMILDO, O IDIOTA
Eremildo é um idiota e convenceu-se de que o atraso na entrega da hidrelétrica de Jirau é razoável. Devia gerar energia em setembro de 2015, mas ficou para meados de 2016. Em 2008 diziam que a obra estaria pronta em 2013, mas deixa pra lá. O que o idiota não entende, porque tenta fazer negócios semelhantes e não consegue, é porque a usina custaria R$ 9 bilhões e sairá por R$ 17,4 bilhões.
SOBERBA
Em 2008 o PSDB de São Paulo passou o rolo compressor em cima de uma proposta de abertura de uma CPI na Assembleia para investigar o cartel da Alstom. Mágica besta. Arriscam tomar uma CPI federal.
QUEM FALOU COM EDUARDO CUNHA?
O líder do PMDB na Câmara, deputado Eduardo Cunha, prestou um serviço à moralidade pública defendendo o veto ao dispositivo da medida provisória 627, na qual incluiu-se um contrabando que alivia as operadoras de planos de saúde das multas a que estão sujeitas por negarem os serviços que vendem. Ele foi claro: se o governo da doutora Dilma tivesse ficado contra a medida, teria tirado o gato da tuba. Mais: discutiu o assunto com comissários da Casa Civil, do Ministério da Fazenda, da Advocacia-Geral da União e, por certo, com a liderança governista na Câmara.
Tudo bem, mas ele poderia dar os nomes dos bípedes com quem falou. Cada um se explicaria, e o assunto ficaria no seu verdadeiro tamanho. Varrendo para baixo do tapete, arrisca-se uma situação perigosa. Amanhã aparece uma gravação na qual um barão dos planos de saúde conversa com um hierarca e produzem o seguinte diálogo:
- Como vai a MP 627?
- Acho que vai bem.
Não quer dizer nada, mas o silêncio de hoje acabará se transformando em suspeita.
Vale repetir: o contrabando fazia com que uma empresa multada cem vezes, devendo R$ 8 milhões, pagasse apenas R$ 320 mil. Isso em ano de campanha eleitoral.

    domingo, 6 de abril de 2014

    Elio Gaspari

    ELIO GASPARI -jornal o globo
    Planos de saúde recebem, mas não pagam
    A Câmara aprovou a anistia dos delinquentes, à custa da Viúva e de quem busca os serviços das operadoras
    Articula-se no Congresso uma CPI para a Petrobras. Pode ser boa ideia, mas seria bom se alguém pudesse criar a CPI do Congresso. Na terça-feira passada, a Câmara aprovou a medida provisória 627, que trata da tributação de empresas brasileiras no exterior. Como é praxe, seu texto foi enxertado por 523 contrabandos. Entre eles, um artigo concedeu anistia parcial aos planos de saúde que não cumprem os contratos, apesar de embolsarem as mensalidades das vítimas. O truque é simples. Há multas que vão de R$ 5 mil a R$ 1 milhão. Como nas infrações de trânsito, cada multa é uma multa.
    Até o dia 31 de dezembro deste ano eleitoral, em que o Senado poderá ratificar a maluquice e a doutora Dilma poderá sancioná-la, as empresas terão a seguinte pista livre: a empresa que tomou de duas a 50 multas da mesma natureza pagará apenas duas; de 50 a 100, mais duas; acima de mil, 20. Assim, quem foi multado cem vezes, pagará quatro penalidades. Em números: uma multa por negativa de procedimento custa R$ 80 mil. Quem delinquir cem vezes, paga R$ 8 milhões, mas, com a mudança, pagará R$ 320 mil.
    Os defensores do truque deveriam contar porque não aplicam a mesma tabelinha aos clientes que deixarem de pagar as mensalidades estabelecidas nos contratos. Caloteou 50 pagamentos, paga dois.
    A maracutaia estimula a delinquência, penaliza quem não delinque e favorece poderosos delinquentes, quase todos grandes financiadores de campanhas. (Entre 2006 e 2012, elas cresceram 37,2%, para pelo menos R$ 8,6 milhões.)
    Se tudo isso fosse pouco, a doutora Dilma indicou para uma diretoria da Agência Nacional de Saúde o doutor José Carlos Abrahão. Ele é um sincero adversário das normas legais que obrigam as operadoras a ressarcir o SUS quando seus clientes são atendidos pela rede pública. Pelo cheiro da brilhantina, se algum dia vierem a cobrá-la por essa indicação, poderá dizer que se baseou em "informações incompletas" ou num parecer "técnica e juridicamente falho", como no caso da refinaria de Pasadena.
    -
    EREMILDO, O IDIOTA
    Eremildo é um idiota e soube que a Vale arrisca tomar um tombo de US$ 507 milhões na Guiné. Em 2010, ela comprou a um empresário israelense parte da concessão da grande jazida de minério de ferro de Simandou. Mudou o presidente, e seu sucessor resolveu reexaminar a maneira como a concessão foi vendida e ameaça cancelá-la.
    Mesmo sendo idiota, Eremildo não consegue entender o que há na cabeça de sábios brasileiros que se metem em negócios com sobas africanos. O cretino sabe que a Guiné Equatorial nada tem a ver com a outra Guiné, mas convenceu-se de que Lula foi lá em 2011, para representar a doutora Dilma num encontro da União Africana, em busca de encrencas. Nosso Guia viajou num avião da Odebrecht e incluiu um diretor da empresa na sua comitiva.
    A Guiné Equatorial é um pequeno país de 700 mil habitantes que flutua sobre petróleo. Tem a maior renda per capita da África, mas os nativos vivem na miséria (70% da população com menos de dois dólares por dia). Já o clã dos Obiang, que governa a terra desde 1979, vai bem, obrigado. Um deles tem um apartamento de US$ 15 milhões em São Paulo e outro negociou a compra de um triplex de US$ 10 milhões na avenida Vieira Souto. Quando Lula foi ver Obiang, o embaixador Celso Amorim disse que "negócios são negócios". Resta saber quais eram os negócios.
    A empresa holandesa SBM, locadora de plataformas de petróleo, acaba de informar que pagou US$ 18,8 milhões em propinas na Guiné Equatorial. Se esse dinheiro fosse para o povo, renderia 26 dólares para cada um. Para o Fundo Obiang, renderia mais um apartamento.
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    ISONOMIA
    Ameaçando criar a CPI do Fim dos Mundo 2.0, o PT não conseguirá limpar uma só nódoa nos negócios da Petrobras. Apesar disso, demonstrou que o tucanato está disposto a qualquer coisa para não mexer com o cartel da Alstom.
    Estão nessa desde 1995, quando o patrono da empresa organizou uma revoada de notáveis para assistir à posse de Bill Clinton. O pior é que a turma dizia que foi convidada pelo governo americano, quando se sabe que a posse de presidentes em Washington é um evento doméstico.
    LOROTA
    Sabendo-se que é falsa a informação do ex-diretor Nestor Cerveró, segundo a qual os conselheiros da Petrobras receberam o contrato de compra da refinaria de Pasadena com 15 dias de antecedência, fica uma pergunta: qual é a linha que separa a verdade das lorotas dos petrocomissários?
    MADAME NATASHA
    Madame Natasha zela pela malha do idioma e concedeu mais uma de suas bolsas de estudo aos sábios que redigiram o Plano Diretor Estratégico da Prefeitura de São Paulo pelo parágrafo único do seu artigo 178, que diz o seguinte:
    "A Zona Rural do Município de São Paulo é multissetorial e multifuncional, comportando a diversidade de atividades integrantes das cadeias produtivas da agricultura e do turismo, incluindo infraestrutura e serviços a elas associados, e exercendo as funções de produção, inclusão social, prestação de serviços e conservação ambiental características da ruralidade contemporânea".
    -
    PAGAR IMPOSTO É COISA DE OTÁRIO
    Pela ordem social do andar de cima, há no país os cavalgados e os cavalcantis. Os cavalgados compram suas coisas e pagam todos os impostos no caixa. Trabalham o mês todo e, quando recebem o contracheque, ele vem com a mordida do Imposto de Renda.
    Os cavalcantis não pagam o que a Receita cobra e, uma vez autuados, esperam que o governo lhes ofereça um plano de refinanciamento do débito. Os descontos são tamanhos que não pagar torna-se bom negócio. O truque atende pelo nome de Refis e, num acordo do governo com a oposição (em ano eleitoral), a Câmara dos Deputados, numa medida provisória relatada pelo deputado Eduardo Cunha, acaba de patrocinar mais uma festinha. É o Refis 8.0. Resta saber se a doutora Dilma vai sancioná-la.
    O Refis socorre sonegadores desde 1999. Por meio de engenhosos mecanismos, tornou-se um benefício contínuo. Houve empresa com a dívida parcelada por 1.066 anos. Outra, que devia R$ 128 milhões, passou a pagar R$ 12 por mês. Bancos e multinacionais já refinanciaram R$ 680 bilhões. A Vale parcelou uma cobrança de R$ 45 bilhões com 50% de desconto. A Companhia Siderúrgica Nacional safou-se de uma dívida de R$ 5 bilhões. A Braskem podou um espeto de R$ 1,9 bilhão.
    Em 2009, a secretária da Receita, Lina Vieira, disse que, com esse gatilho, "o bom contribuinte se sente um otário". Ela foi demitida pouco depois pelo ministro Guido Mantega.
    Sempre que o governo maquia o Refis vem o argumento de que com ele arrecada-se cerca de 15% do que está emperrado. É verdade, mas deixa-se de receber o que se cobrou aos cavalcantis, o que nunca acontece com os cavalgados.

      quinta-feira, 3 de abril de 2014

      USP oferece 669 vagas para transferência

      USP oferece 669  
      vagas para transferência
      Inscrições vão de 3 a 14/4



      A Universidade de São Paulo (USP) oferece 669 vagas para transferência de estudantes de ensino superior. Há 106 vagas em cursos da área biológica, 414 de exatas e 149 de humanidades. O ingresso dos aprovados pode ocorrer ainda em 2014 ou no começo de 2015.

      As inscrições estarão abertas pelo site entre quinta-feira (3/4) e 14/4. O prazo para pedido de isenção de inscrição acabou em 25/3. No ato da inscrição, o candidato deve indicar o curso e também o município para realizar a prova. Estão entre as opções Bauru, Campinas, Lorena, Piracicaba, Pirassununga, Ribeirão Preto, Santos, São Carlos e São Paulo.

      O processo seletivo, realizado pela Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest), é composto por duas etapas. A prova de pré-seleção, composta de 80 questões de múltipla escolha, será aplicada em %u2158. O resultado dos convocados para a segunda etapa será divulgado em 16/5 e os estudantes devem entregar a documentação em 22 e 23/5 na unidade escolhida. A segunda fase ocorre nas unidades que oferecem os cursos e há editais específicos para cada unidade.

      Acompanhe detalhes sobre o processo seletivo pela página.

      Conteúdos da pré-seleção 
      A prova de pré-seleção dos candidatos a cursos da área de biologia terá 24 questões de língua portuguesa, 12 de língua inglesa, 22 de bioquímica e 22 de genética. Os interessados em cursos de exatas responderão a 24 questões de língua portuguesa, 12 de língua inglesa, 22 de matemática e 22 de física. Os concorrentes a cursos da área de humanidades terão a prova constituída por 34 questões de língua portuguesa; 12 de língua inglesa e 34 de cultura contemporânea.
      daqui http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/eu-estudante/selecao/2014/04/02/Selecao_Interna,420885/usp-oferece-669-vagas-para-transferencia.shtml

      domingo, 30 de março de 2014

      De Massu@edu para EnzoPeri@gov - Elio Gaspari

      jornal o globo
      ELIO GASPARI
      De Massu@edu para EnzoPeri@gov
      General, o sr. nunca colocou a mão na massa, eu coloquei, ajude o Exército dissociando-o da tortura passada
      Senhor Comandante do Exército Brasileiro,
      Enquanto vivi, até 2002, fui visto pelos comunistas como um assassino. O general Jacques Massu encarnava a tortura e o extermínio de terroristas que lutavam pela independência da Argélia. Escrevo-lhe com essa autoridade. Eu mandei torturar (testei a máquina de choques elétricos no meu próprio corpo) e ganhei a Batalha de Argel. Um palhaço italiano fez um filme com esse título. Fui um soldado. Lutei na Segunda Guerra e no Vietnã. Em 1956 assumi plenos poderes para acabar com a revolta argelina e um ano depois a insurreição estava dominada. Matamos duzentos e prendemos 1.800. Os comunistas dizem que sumimos com quatro mil.
      Falo com a autoridade de um vencedor derrotado. Ganhei a batalha, mas perdi a guerra. O general De Gaulle deu a independência à Argélia e, quando resolvi confrontá-lo numa entrevista, meteu-me o chanfalho, tomando-me o comando. Fez muito bem. Como soldado, voltei ao quartel, e em 1968, quando ele precisou de apoio, veio para meu quartel. De Gaulle achava que eu era um idiota. Talvez fosse, mas era gaullista. Aí no Brasil vocês também ganharam a batalha e perderam a guerra. A senhora que preside o país, eleita pelo povo, foi militante de uma organização terrorista na juventude.
      Escrevo-lhe numa terceira capacidade. Vi a ruína da máquina que montei. Começamos torturando terroristas, tentamos um golpe de Estado e acabamos criando uma milícia terrorista e corrupta. O chefe civil desse grupo asilou-se aí no Brasil e viveu em Campinas. Centenas de homens da minha tropa explodiram bombas, mataram um general e armaram vinte atentados para liquidar De Gaulle. Num, quase conseguiram. Acertaram 14 tiros no Citroën do presidente. O coronel que comandou a operação pediu clemência, mas De Gaulle passou-o nas armas.
      General Enzo, aí no Brasil aconteceu a mesma coisa. Da máquina da tortura saiu um braço terrorista. O general Paul Aussaresses foi adido militar no Brasil. Ele trabalhou comigo na Argélia e hoje vive jantando com uns generais brasileiros que mandavam no Centro de Informações do Exército. Eu os evito, porque sei que, ao contrário do que sucedeu na França, o terrorismo militar brasileiro não operou na clandestinidade. Continuou dentro da hierarquia. O senhor sabe quem botou bombas por aí, até que dois trapalhões explodiram-se no Riocentro. Os senhores cometeram um erro militar quando não seccionaram esse braço criminoso, mas o feito, feito está.
      O erro militar persiste quando os senhores se recusam a admitir o que houve. O Exército francês não carrega mais a cruz do que Jacques Massu fez na Argélia. De general para general: o major que comandava um centro de torturas onde matavam brasileiros que ameaçavam o Estado estava cumprindo ordens e depois seguiu sua carreira, como eu. É diverso o caso de outro major que, ouvindo chefes, metia-se com bombas. Um coronel que trabalhou no SNI diz que houve um plano para derrubar o helicóptero do presidente. Conheço minha gente, sei a distância entre querer e fazer, mas o fato é que pensaram nisso ou, pelo menos, disseram que pensaram.
      O primeiro erro militar cometido pelos generais brasileiros (e por mim) foi transformar tenentinhos em torturadores e assassinos. O segundo foi acobertar crimes que nada tinham a ver com a defesa do Estado. Pelo contrário, queriam explodi-lo. O terceiro, seu, é achar que o silêncio abafará o passado. Peça o livro de alterações do oficial Freddie Perdigão Pereira e veja como um tenente dos blindados transformou-se num matador e meteu-se em atos terroristas. Veja lá, general, ele estava com os blindados, não tinha curso de motomecanização, mas montava cavalos e jogava vôlei. Hélas! Eu já o vi por aqui. Parece-se com Roger Degueldre, um dos meus tenentes, que foi executado no Fort d'Ivry. Não foi fácil fazer a transição. Três oficiais recusaram-se a comandar o pelotão de fuzilamento de Degueldre.
      Quem transformou esse tenente no terrorista "Danielle"? Nós, os generais da época.
      O fatos ocorridos nas vossas prisões estão cobertos pela Lei da Anistia. Se o Congresso e o Supremo Tribunal Federal quiserem mudá-la, assim são as coisas, mas enquanto isso não acontecer, vale a lei. Os comunistas se esquecem que em 1946 o governo italiano anistiou os delitos cometidos depois de 1943 pelos fascistas e pelos combatentes da Resistência. Lembremos que essa lei foi assinada pelo ministro da Justiça, Palmiro Togliatti, secretário-geral do Partido Comunista.
      Soldados sabem como é a vida. Os políticos e os endinheirados nos chamam para fazer o serviço e olham para o lado. Quando a situação muda, deixam a sujeira correr para os quartéis. Outro dia um general magrinho, seco como uma uva passa, contou-me que, há pouco tempo, nos cinemas brasileiros aplaudiu-se em cena aberta um filme que mostrava um traficante de drogas sendo torturado pela polícia militar do Rio de Janeiro. Ele diz que a tortura tem apoio popular. Parece que nos anos 70 ele chefiou o Centro de Informações do Exército.
      Como essa mentalidade nunca desaparecerá, despeço-me deixando um registro: Jacques Massu pode ser um idiota, afinal, foi De Gaulle quem o disse, mas não é teimoso. Em 2000, aos 92 anos, dei uma entrevista dizendo o seguinte: "A tortura não é indispensável em tempo de guerra, podíamos ter passado sem ela. Quando repenso a Argélia, desolo-me. Aquilo fazia parte de um ambiente".
      Por que o senhor não diz coisa parecida? Afinal, ao contrário do Massu, o senhor nunca meteu a mão na massa.
      Respeitosamente,
      Jacques Massu
      General do Exército francês
      PETROCOMISSÁRIO
      A Polícia Federal ouviu um telefonema recebido por uma parente do petrocomissário Paulo Roberto da Costa pedindo a um parente próximo que recolhesse computadores que estavam em sua casa.
      Deu errado. As máquinas foram apreendidas e, para piorar a situação, o doutor, que está na cadeia, sabe que criou problemas para pessoas que nada tinham a ver com sua memória eletrônica.
      Esse episódio poderá refrescar sua memória biológica nos depoimentos ao Ministério Público.
      SILÊNCIO
      O deputado Vicentinho, líder do PT na Câmara, mostra o lado decadente do comissariado quando ameaça responder à oposição com investigações sobre esqueletos do PSDB, como o cartel da Alstom em São Paulo.
      A ideia é ótima, mas veio tarde, como se o companheiro quisesse cobrar pelo próprio silêncio.
      Nada de novo. Quando começaram os pedidos de investigação da Petrobras, saiu de sua cúpula a seguinte pergunta: "Porque só na Petrobras?"
      AVISO AMIGO
      Se o governo quer evitar surpresas, deve dar uma olhada nos negócios que copatrocina juntando grandes empreiteiras, bancos oficiais e cleptocratas africanos. Nunca é demais lembrar que Isabel dos Santos, filha do presidente de Angola, é a mulher mais rica d'Africa, com uma poupança estimada em US$ 4,1 bilhões.
      MISTÉRIO
      É sabido que os americanos vivem em estado de alerta contra doenças transmitidas por bichos. Lá as vacinas antirrábicas de cachorros valem por três anos. No Brasil, valem só por um ano.
      Ou os cachorros brasileiros são viciados em vacinas ou o vício é outro.

      sexta-feira, 28 de março de 2014

      L'invitation au Voyage - Charles Baudelaire

      via Facebook de Cora Ronai 
      L'invitation au Voyage:

      Mon enfant, ma soeur,
      Songe à la douceur
      D'aller là-bas vivre ensemble!
      Aimer à loisir,
      Aimer et mourir
      Au pays qui te ressemble!
      Les soleils mouillés
      De ces ciels brouillés
      Pour mon esprit ont les charmes
      Si mystérieux
      De tes traîtres yeux,
      Brillant à travers leurs larmes.

      Là, tout n'est qu'ordre et beauté,
      Luxe, calme et volupté.

      Des meubles luisants,
      Polis par les ans,
      Décoreraient notre chambre;
      Les plus rares fleurs
      Mêlant leurs odeurs
      Aux vagues senteurs de l'ambre,
      Les riches plafonds,
      Les miroirs profonds,
      La splendeur orientale,
      Tout y parlerait
      À l'âme en secret
      Sa douce langue natale.

      Là, tout n'est qu'ordre et beauté,
      Luxe, calme et volupté.

      Vois sur ces canaux
      Dormir ces vaisseaux
      Dont l'humeur est vagabonde;
      C'est pour assouvir
      Ton moindre désir
      Qu'ils viennent du bout du monde.
      — Les soleils couchants
      Revêtent les champs,
      Les canaux, la ville entière,
      D'hyacinthe et d'or;
      Le monde s'endort
      Dans une chaude lumière.

      Là, tout n'est qu'ordre et beauté,
      Luxe, calme et volupté.

      — Charles Baudelaire
       (13 photos)

      quarta-feira, 26 de março de 2014

      Elio Gaspari sobre o DNA do golpismo, à direita e à esquerda.


      jornal o globo
      ELIO GASPARI
      1964...2014
      Jango foi deposto pela carta golpista que estava nas mãos de vários jogadores, mas a direita fez a canastra
      A deposição do presidente João Goulart continua a ser um tema divisivo na política brasileira porque, meio século depois, alguns itens da agenda de 1964 continuam presentes, ao vivo e a cores. Registre-se que o elemento primordial, detonador e desfecho da revolta, foi o fato de que os dois lados jogavam com a carta da intervenção militar. Jango tinha um "dispositivo" nos quartéis e seus adversários tinham conspirações desconexas, até que um general voluntarioso implodiu a ordem constitucional. Não existe mais essa carta, mas há outras que, na essência, derivam de pensamentos autoritários. Vale a pena visitá-los, pois permitem que se descubra, em 2014, o código genético do golpismo de 1964.
      O primeiro é a falta de respeito à vontade popular. Há 50 anos, uma das provas de que Jango era um esquerdista estava na sua defesa do voto para o analfabeto. Um iletrado não podia ter o mesmo peso político que um doutor. Veio a ditadura e cassou os votos de todos para a escolha do presidente. Em 1969, depois que o presidente Costa e Silva ficou incapacitado, os generais sabiam que o voto de um analfabeto não valia o de um doutor, mas descobriram que o de um coronel não valia o de um general e o de um general que comandava uma mesa não valia o de outro, que comandava uma tropa. Resultado: elegeram o general Emílio Médici sem que se saiba como essa escolha foi feita. A desqualificação do voto alheio está aí até hoje.
      Há 50 anos havia uma repulsa ao Congresso e aos políticos. Um lado achava que o povo não sabia votar e elegia ladrões. O outro achava a mesma coisa e havia nele quem quisesse que a rua arrancasse uma Constituinte para fazer as reformas para o bem do país, permitindo inclusive que Jango fosse candidato à Presidência. Hoje as duas visões sobrevivem e no ano passado a doutora Dilma flertou com uma Constituinte exclusiva com adereços plebiscitários.
      Passaram-se 50 anos e aquilo que se chamava de infiltração comunista no governo denomina-se hoje aparelhamento do Estado pelo PT. Havia infiltração comunista na Petrobras em 1964, houve um período de petropirataria durante o tucanato e hoje há um comissariado petista na empresa.
      1964 continua divisivo porque em 2014 há pessoas que veem nas instituições democráticas a origem e sede dos males. Isso vale tanto para o sujeito que não confia na vontade popular que escolhe presidentes petistas como para comissários que veem nessa mesma vontade uma massa incapaz de eleger um Congresso que vote as leis necessárias para que o partido desenvolva o que chama de projeto estratégico. O golpista é antes de tudo um cético em busca de surtos de força.
      Em 1964 havia dois candidatos à Presidência: Carlos Lacerda e Juscelino Kubitschek. Muita gente preferia um golpe a Lacerda e, do outro lado, sonhava-se com o golpe que evitaria a volta de JK. Um terceiro grupo queria virar a mesa contra os dois. Deu no que deu e vinte anos depois todos achavam que tanto Lacerda como JK teriam sido melhores que a ditadura. Como a "Revolução Redentora" teria sido coisa dos militares, todos os civis viraram democratas. Felizmente, em 2014 a carta dos quartéis saiu do baralho. O DNA golpista contudo não desaparece, mesmo enfraquecido, transmuta-se.