domingo, 15 de dezembro de 2013

Suzana Singer [Folha Ombudsman]

folha de são paulo
"Diga X"
Cortes nos orçamentos e vetos à presença da imprensa levam jornais a publicar fotos oficiais
A fotografia que reuniu Dilma e seus antecessores no embarque para a África do Sul, estampada na capa de quase todos os jornais brasileiros na terça-feira, provocou polêmica.
Fernando Rodrigues saudou a iniciativa da presidente: "A foto de todos juntos torna o país um pouco mais civilizado e urbano". Rogério Gentile criticou o gesto, porque, ao incluir Fernando Collor, Dilma estaria "homenageando uma vergonha nacional". José Simão ironizou: "Dilma, Sarney, Collor, FHC e Lula. Se eles tivessem peso na consciência, o avião não decolava".
A reunião de todos os (vivos) que já ocuparam o posto mais alto no Palácio do Planalto era uma cena única. Pena que tenha sido registrada só pelo fotógrafo oficial da Presidência. A imprensa não teve acesso ao local, porque, segundo a ministra da Comunicação Social, Helena Chagas, não estava prevista foto naquele momento. A imagem teria sido feita para atender a um pedido de oficiais que estavam na Base Aérea do Galeão. A imprensa poderia fotografar o grupo na chegada a Johannesburgo.
Só que os grandes jornais não enviaram fotógrafos para a África do Sul. "Não vimos necessidade. Sabíamos que haveria uma ampla cobertura fotográfica à nossa disposição", diz a Secretaria de Redação.
De fato, as melhores agências estavam na cerimônia pela memória de Nelson Mandela, mas um olhar brasileiro poderia resultar em imagens originais, do mesmo modo que um enviado especial de texto faz diferença em coberturas importantes. A presença de Dilma, que discursou, e dos outros políticos brasileiros justificaria ainda mais a ida à África.
Embora muitos leitores não prestem atenção ao crédito, que aparece em letras miúdas no alto de cada imagem, faz diferença se uma imagem foi aprovada pelo fotografado ou se foi feita sem censura. Em foto oficial, estão todos penteados e bem-dispostos, como os cinco empertigados no aeroporto.
Não há flagrante, como o registrado por Roberto Schmidt, da France Presse, na homenagem a Mandela. A foto, que mostra Obama, David Cameron e a premiê dinamarquesa fazendo pose para si mesmos ("selfie"), gerou críticas (o trio estaria fazendo farra numa cerimônia fúnebre) e um monte de especulações sobre o ciúme da primeira-dama americana.
Foi tanta repercussão que o fotógrafo divulgou uma explicação sobre a cena. Não teria havido desrespeito na "selfie" porque o clima no estádio era de festa, com cantoria e dança. Michelle não estaria incomodada, já que, minutos antes, brincava com os outros, inclusive com a amiga loira. "Os líderes mundiais estavam simplesmente agindo como seres humanos, como você ou eu", disse o fotógrafo.
Políticos adoram parecer "gente comum", mas em situações controladas. Obama vem restringindo o acesso de repórteres fotográficos, o que provocou um protesto formal de vários jornais, inclusive do "New York Times". Grupos de mídia como Gannett ("USA Today"), McClatchy ("Miami Herald") e a agência Associated Press decidiram não publicar mais fotos oficiais, salvo em situações muito especiais.
No Brasil, o veto presidencial em algumas situações e os cortes nos orçamentos das Redações têm deixado à disposição dos leitores cada vez mais fotos oficiais, que, como bem definiu a ombudsman do "NYT", Margaret Sullivan, nada mais são do que "releases visuais".
SÓ O NEGATIVO
A manchete de segunda-feira decretava: "Ineficiência marca gestão do SUS, diz Banco Mundial". A reportagem trazia apenas as críticas contidas no estudo, que fez um balanço de 20 anos do sistema único no país.
Toda a parte elogiosa, em que se ressalta, entre outros pontos, um acesso mais equânime à assistência médica, foi ignorada pelo jornal. Ficou a impressão de que o Banco Mundial condenava o SUS. Foi mais um ataque de pessimismo crônico daFolha.

    Elio Gaspari

    Jornal O Globo
    Natasha e Eremildo numa prova do Enade
    No blablabês do MEC, os estudantes precisam entender que um concorrente é uma 'empresa potencial entrante'
    Madame Natasha fez as provas de administração e ciências econômicas do Enade e concluiu que o Ministério da Educação estimula a criação de um dialeto no qual os professores ensinam (e cobram) conhecimentos num idioma que não falam em casa. A senhora entende que há expressões técnicas que devem ser ensinadas e aprendidas, mas "empresa potencial entrante" é a popular "concorrente", "estatisticamente não significante" é apenas "insignificante", uma "asserção" é uma "afirmação" e "fator explicativo" é "uma das explicações".
    Se um diretor de uma companhia disser que talvez seja obrigado a enfrentar uma empresa potencial entrante mas está tranquilo porque ela virá com uma produção estatisticamente não significante e que essa asserção é um fator explicativo da sua esperança de ganhar o bônus no fim do ano, será mandado ao manicômio.
    Natasha acredita que, estimulando-se os alunos a aprender um dialeto incompreensível, consegue-se apenas fazer com que professores que não se fazem entender propaguem, com a ajuda do MEC, um blá-blá-blá de empulhação.
    Por coincidência, Eremildo, o Idiota, fez a mesma prova. Como vive num quarto alugado nos fundos de uma pensão, sonha em se credenciar para um cargo na diretoria da Petros. Numa pergunta relacionada com economia brasileira dos anos 30, ele achou a expressão "indústria capitalista". O cretino acha que em Pindorama só havia essa, pois a socialista estava sob os cuidados de Stálin.
    A dupla até hoje tenta decifrar o seguinte enunciado, relacionado com as novas formas de organização das empresas. Segundo o texto, elas são vistas também "como aperfeiçoamento da abordagem contingencial da administração. Os estudos realizados carecem, entretanto, de aprofundamento para que se possa considerar as chamadas organizações pós-modernas ou como expressão da ruptura qualitativa com a modernidade ou como versão especificamente histórica das organizações modernas".
    Umas das alternativas de resposta era a seguinte: "De acordo com a compreensão sistêmica e comportamental da administração, as novas formas organizacionais revelam a ruptura com a racionalidade instrumental, caracterizando o paradigma pós-modernista".
    Ganha uma viagem de ida a Pyongyang quem souber o que isso quer dizer. Indo-se ao gabarito, vê-se que essa alternativa estava errada. Era uma pegadinha, em blá-blá-blês.
    Um professor com títulos e desempenho empresarial suficientes para dar inveja aos educatecas do MEC testou-se respondendo às oito questões de formação geral. Valendo-se de seus conhecimentos e de sua opiniões, errou quatro. Numa nova tentativa, colocou-se no modo "politicamente correto" e deu as respostas que intuiu serem as desejadas. Acertou seis. Num enunciado em que se descreve a influência dos jogos domésticos sobre as crianças, reduzindo seu interesse por questões ambientais, pedia-se aos estudantes que escolhessem um título para o texto. Uma das alternativas dizia: "Preferências atuais de lazer de jovens e crianças: preocupação dos ambientalistas". Errado. O título certo seria: "Engajamento de crianças e jovens na preservação do legado natural: uma necessidade imediata". Isso é título de manifesto.
    POESIA
    Os doutores Sérgio Cabral e Eduardo Paes apresentam-se como construtores de um novo Rio de Janeiro. Diante da cena do portão do novo Maracanã alagado, coisa que jamais ocorreu, vale relembrar o poema de Cacaso num período de euforia cívica:
    Ficou moderno o Brasil,
    Ficou moderno o Milagre:
    A água já não vira vinho,
    Vira direto vinagre.
    PERNAS
    De um empresário de nove dígitos:
    "Se o problema da economia brasileira fosse o fato de estar com duas pernas mancas, talvez um ortopedista ajudasse. Como o problema está no cérebro, o caso é para psiquiatra."
    PT CALMO
    Uma parte do comissariado espera que a solidariedade coletiva oferecida ao mensaleiros presos seja a última. Nos últimos anos o partido ameaçou botar seus militantes nas ruas e Lula prometeu percorrer o país discutindo o caso. Nenhuma das duas coisas aconteceu.
    ROSA WEBER
    Se as decisões da ministra Rosa Weber no caso do cartel das fornecedores de equipamentos e de seus vínculos com os governos do PSDB paulista contrariarem o tucanato, virá a grita de que foi a doutora Dilma quem a nomeou.
    Tudo bem, mas quem nomeou Joaquim Barbosa foi Lula.
    OUTRA PONTA
    Há um ponto cego nas investigações das propinas cobradas por fiscais da Prefeitura de São Paulo. Quando empresários decidem enfrentar os achacadores e resolvem ir à Justiça, descobrem que nesse caso terão que lidar com uma nova quadrilha.
    Isso acontece em vários Estados.
    EDUARDO CAMPOS E O ATENTADO DE GUARARAPES
    O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, tinha um ano de vida quando aconteceu o primeiro atentado terrorista de vulto da década. No dia 25 de julho de 1966 explodiu uma bomba no saguão do Aeroporto de Guararapes, onde centenas de pessoas esperavam pelo marechal Arthur da Costa e Silva, que sucederia seu colega Castello Branco na Presidência da República. A explosão matou um almirante, um jornalista e feriu 14 pessoas, inclusive uma criança.
    Durante a cerimônia em que Ricardo Zarattini foi justamente inocentado de qualquer responsabilidade pelo episódio, Campos relembrou uma velha desconfiança: o atentado teria sido "um episódio utilizado para dividir a resistência ao golpe".
    Sem o esclarecimento de que o atentado foi obra de militantes de esquerda, sobra a suspeita de que os militares tiveram algo a ver com a coisa. Lenda desonesta. Naqueles dias explodiram no Recife três bombas. Todas colocadas por um grupo ligado à Ação Popular, a AP. Quem montou e colocou o explosivo no aeroporto foi Raimundo Gonçalves Figueiredo, o "Raimundinho". Vindo para o Rio, e militando na VAR-Palmares, detonou mais duas bombas e foi assassinado em 1971.
    Eduardo Campos já tinha 25 anos quando Jacob Gorender esclareceu que Zarattini nada tinha a ver com o atentado. Gorender sabia a identidade do autor. O governador tinha trinta anos quando o "Jornal do Commercio" do Recife publicou uma reportagem definitiva sobre o assunto. Nela havia uma entrevista do ex-padre Alipio de Freitas, que teria sido o mentor do grupo, ao repórter Gilvandro Filho. Nas palavras de Alipio: "Morreu gente, nós lamentamos. Mas aquilo era uma guerra, tinha que haver vítimas".

      Janio de Freitas

      folha de são paulo
      O dinheiro do voto
      Não tem fundamento dizer que substituir as doações empresarias por pessoais vai aumentar o caixa dois
      O argumento mais forte contra a provável proibição, pelo Supremo Tribunal Federal, de doações eleitorais por empresas, é pobre de seriedade e paupérrimo de inteligência. Não tem fundamento afirmar que substituir as doações empresariais por pessoais vai aumentar ameaçadoramente o caixa dois nas campanhas, o dinheiro de doações encobertas, dada a óbvia razão de que não se tem nem estimativa da proporção dessa ilegalidade nas eleições passadas.
      O chute, difundido pelo PSDB, expressa a preocupação dos grandes beneficiários de doações empresariais. Mas implica acusar seus doadores publicamente: se as pessoas não precisam fazer doações ilegais, o aumento de caixa dois em campanhas só pode ser feito por doações clandestinas de empresas, em prática criminosa de empresários. Gente mal-agradecida, esses peessedebistas.
      Na preocupação dos partidos identificados com o empresariado percebe-se também o medo de que, permitidas apenas doações pessoais, os partidos mais populares levem vantagem. Os fatos não apoiam tal medo: o PT sempre precisou buscar, e recebeu, doações empresariais para suprir a estrangulante modéstia das doações pessoais, apesar do esforço para incentivá-las. Era o efeito de um condicionante econômico que pode estar mudado, mas não extinto.
      Por isso mesmo, as doações apenas individuais são potencialmente capazes de surpreender quem hoje as teme. Os partidos populares podem esperar maior quantidade de doadores. Mas, para cada real vindo dos seus, os do PSDB, do DEM e dos centuriões do agronegócio estão prontos para doar na proporção de dez reais por aquele real, cem por um, mil por um, sem que a carteira sequer o perceba.
      O ministro Gilmar Mendes, do Supremo, está tão irritado quanto os peessedebistas mais irritados com a perspectiva da mudança de doadores. Chama a ação da OAB, pelo fim das doações de empresas, de estudantada. Com uma pergunta assim, por exemplo: "Essa gente fica fora da política?" É uma sagração da empresa que nem os neoliberais fizeram: a empresa vista como gente. E portadora de cidadania, para ser parte da política. Muito original.
      Não tanto, porém, quando, em crítica aos quatro colegas que já votaram pela mudança, diz que "estamos [lá o Supremo] fazendo um tipo de lei para beneficiar quem estiver no poder". Dá oportunidade para observar-se uma reação fraudulenta cometida por muitos, inclusive pelos presidentes da Câmara e do Senado. O Supremo não está absorvendo função do Congresso, não está fazendo lei. Está, como lhe compete, examinando e vai decidir a compatibilidade, ou sua falta, entre a Constituição e a participação de empresas em eleições como financiadoras de candidatos, além do mais, selecionados a critério empresarial.
      A doação pessoal não assegura o fim do caixa dois, o dinheiro não declarado pelo candidato ou pelo partido à Justiça Eleitoral. Mas dificulta e, portanto, reduz essa violação do processo de composição do Congresso e dos governos. Logo, colabora para maior higiene política. E tende a reduzir o custo, hoje imoral, da eleição a qualquer cargo. Logo, colabora para a democratização eleitoral e para a maior legitimidade da composição dos poderes. Democratização eleitoral e legitimidade hoje degeneradas.
      PS -- Alguma boa alma precisa avisar aos Estados Unidos que o financiamento eleitoral deles ainda não passa de estudantada.
      O FEITO
      A vida pública de Nelson Mandela permite, e não lhe faltou, uma infinidade de ângulos de abordagem, análise e avaliação. Mas, suponho, só um tem sentido.
      Mandela mudou a concepção de vida de uma nação, ideias consolidadas e sentimentos enraizados por várias gerações. O PIB, a segurança, a inflação, essas são as miudezas habituais que só poderiam ficar, como ficaram, com os habituais que delas se ocupam dos modos habituais. O que distingue Mandela é ter feito com uma nação o que é difícil mesmo na vida pessoal e, quando ocorre, em geral leva muito mais tempo.

        sábado, 14 de dezembro de 2013

        MOnica Bergamo

        folha de são paulo

        Paulo Henrique Amorim é condenado a pagar R$ 50 mil a Gilmar Mendes por danos morais

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        REPARAÇÃO
        O blogueiro Paulo Henrique Amorim, apresentador da TV Record, foi condenado a pagar R$ 50 mil por danos morais ao ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal). Em 2008, ao criticar decisões do magistrado, Amorim afirmou que ele "transformou o Supremo Tribunal Federal num balcão de negócios".
        SEM QUERER
        Em sua defesa, Amorim sustentou que as afirmações "não representam ofensa à honra e reputação do autor, caracterizando-se como livre expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação". A juíza Tatiana Dias da Silva, de Brasília, considerou, no entanto, que "a matéria produzida pelo réu não relatou fato verídico, não teve o intuito apenas de informar a coletividade", mas, sim, "teve o escopo de depreciar a imagem do autor, sem qualquer amparo". O advogado de Amorim informa que vai recorrer da decisão.
        DESTINO CERTO
        A juíza determinou que os R$ 50 mil a serem pagos por Amorim devem ser destinados à Apae de Diamantino (MT), onde Mendes nasceu.
        PETICIONAMENTO
        José Renato Nalini, novo presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, diz ser "irreversível" a adoção do peticionamento eletrônico no Estado. Na próxima segunda-feira, a OAB-SP vai liderar uma manifestação nacional da classe em defesa da manutenção das petições de papel junto com o sistema digital.
        PAPEL PASSADO
        Advogados reclamam de falhas técnicas que dificultariam o envio dos processos à Justiça. Segundo Nalini, o aperfeiçoamento do sistema pode ser discutido. "Mas não dá para jogar dinheiro do povo fora. A implementação consumiu R$ 300 milhões ao longo de sete anos." Ele afirma que são gastos R$ 5 milhões por mês em aluguel de locais para guardar arquivos de papel.
        DA TERRINHA
        A fadista Carminho gravou uma participação especial no próximo disco de Alceu Valença. A música escolhida foi "Frevo nº 1 do Recife", de Antônio Maria.
        *
        De volta ao Brasil, a cantora portuguesa, que já gravou com Chico Buarque, Milton Nascimento e Nana Caymmi, se apresenta no Tom Jazz, entre segunda e quarta-feira da próxima semana.
        FAZENDO CONTAS
        Manoel Rangel, presidente da Ancine, retorna de Cuba hoje, depois de acompanhar o Festival Internacional do Novo Cinema Latino-Americano, em Havana, que teve mais de 70 filmes brasileiros em sua programação. Na segunda, ele se reúne com o Comitê Gestor do Fundo Setorial do Audiovisual, que tem mais de R$ 1 bilhão em caixa, para definir os recursos a serem liberados ainda neste ano. Os editais serão lançados na terça pela ministra Marta Suplicy.
        FESTA À FRANCESA
        O presidente François Hollande entregou ao ex-jogador Raí Oliveira a Legião de Honra, uma das três principais condecorações do governo da França, anteontem, no hotel Hyatt. O homenageado estava com parentes e amigos, como a mãe, Guiomar, o irmão Sóstenes, a filha Noáh, a neta, Naira Bellissimo, e as ex-mulheres, Danielle Dahoui e Cristina Bellissimo. A primeira-dama francesa, Valérie Trierweiler, o embaixador do país no Brasil, Denis Pietton, e a consulesa em SP, Alexandra Loras, também participaram da festa.

        Raí recebe medalha da França

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        Bruno Poletti/Folhapress
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        O ex-jogador Raí Oliveira recebeu a Legião de Honra, uma das três principais condecorações do governo da França, na quinta (12), no hotel Hyatt
        REPARAÇÃO
        O blogueiro Paulo Henrique Amorim, apresentador da TV Record, foi condenado a pagar R$ 50 mil por danos morais ao ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal). Em 2008, ao criticar decisões do magistrado, Amorim afirmou que ele "transformou o Supremo Tribunal Federal num balcão de negócios".
        SEM QUERER
        Em sua defesa, Amorim sustentou que as afirmações "não representam ofensa à honra e reputação do autor, caracterizando-se como livre expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação". A juíza Tatiana Dias da Silva, de Brasília, considerou, no entanto, que "a matéria produzida pelo réu não relatou fato verídico, não teve o intuito apenas de informar a coletividade", mas, sim, "teve o escopo de depreciar a imagem do autor, sem qualquer amparo". O advogado de Amorim informa que vai recorrer da decisão.
        DESTINO CERTO
        A juíza determinou que os R$ 50 mil a serem pagos por Amorim devem ser destinados à Apae de Diamantino (MT), onde Mendes nasceu.
        MUNDO DA MODA
        "In my Book" (Companhia Editora Nacional), autobiografia da empresária de moda Tamara Mellon, será lançada no Brasil em fevereiro.
        CURTO-CIRCUITO
        O livro "Memórias de um Caçador", de Ivan Turgueniev, será lançado hoje, às 11h, na Casa do Saber da Mario Ferraz.
        O estilista João Pimenta é o novo diretor criativo da marca West Coast.
        O Teatro Oficina, no Bexiga, estreia hoje "Cacilda!!!!". 16 anos.
        Maria Gal autografa "A Bailarina e a Bolha de Sabão ", hoje, às 13h, no Anhembi.
        Betty Gervitz faz show com o grupo Mutrib, amanhã, às 18h, no Sesc Pompeia. Grátis. Livre.
        com ELIANE TRINDADE, JOELMIR TAVARES, ANA KREPP e MARCELA PAES
        mônica bergamo
        Mônica Bergamo, jornalista, assina coluna diária publicada na página 2 da versão impressa de "Ilustrada". Traz informações sobre diversas áreas, entre elas, política, moda e coluna social. Está na Folha desde abril de 1999.

        O Brasil deve proibir torcidas organizadas?

        folha de são paulo
        LUÍS FLAVIO SAPORI
        O Brasil deve proibir torcidas organizadas?
        Antipática, mas necessária
        SIM
        O episódio recente de confronto entre torcedores do Atlético-PR e do Vasco da Gama é mais um capítulo de uma novela que não tem fim.
        A manifestação de violência dentro e fora dos estádios de futebol não é recente, tendo se intensificado a partir do início da década de 1990. E coincide com o surgimento e proliferação das torcidas organizadas por todo o país.
        É fato que a violência no futebol brasileiro não pode ser separada da violência que assola a sociedade como um todo. E nos últimos 20 anos, tornamo-nos uma coletividade que banalizou a violência --especialmente os casos de homicídio.
        O respeito à vida como valor social deteriorou-se amplamente, de modo que os freios morais para a contenção do impulso da agressividade estão muito fragilizados.
        Como consequência, a utilização da força física para imposição de interesses e resolução de conflitos dissemina-se nos mais diversos ambientes sociais: na família, no bairro, na escola, no trânsito e nos eventos esportivos e culturais.
        A despeito dessa dimensão social do fenômeno, deve-se considerar que as torcidas organizadas têm potencializado a violência no futebol. Elas constituem focos geradores de práticas violentas, influenciando o próprio contexto social em que se inserem. Ou seja, a violência na sociedade é estimulada também pela violência no futebol.
        As torcidas organizadas de modo geral estão estruturadas pelo "ethos" da virilidade, da masculinidade e da afirmação da força física contra torcedores adversários, que podem ser inclusive integrantes de outra torcida do mesmo clube de futebol. Estes, na verdade, são tratados como inimigos --alvos, portanto, do sentimento de ódio.
        Quando há tal aversão pelo outro, o impulso da agressividade é dificilmente controlado. Ao contrário, os membros das torcidas organizadas que são capazes de infringir danos físicos aos "inimigos" são respeitados e valorizados pelos companheiros. Os atos de violência desses torcedores compõem a identidade da organização da qual participam. Constituem, portanto, procedimentos institucionalizados na sociabilidade cotidiana desses grupos sociais.
        É equivocado, sob tal ponto de vista, o argumento de que a violência é provocada por delinquentes supostamente infiltrados no interior das torcidas organizadas.
        O momento exige a adoção de medida legal que não se restrinja ao monitoramento e repressão dos integrantes violentos das torcidas organizadas. Isso deve continuar sendo feito, porém faz-se necessário dar um passo adiante. A simples responsabilização criminal dos torcedores que perpetram atos de violência não será capaz de pôr fim às cenas de brutalidade que testemunhamos no estádio de Joinville (SC).
        Está em questão o grau de responsabilidade do coletivo sobre o individual. Considerando que o coletivo torcida organizada molda em boa medida atitudes e comportamentos dos indivíduos que a ela se filiam, é imprescindível que esse coletivo seja desestruturado mediante a expressa proibição de sua existência.
        Tal proibição implica a impossibilidade de o grupo se formar como pessoa jurídica, ter sede, arregimentar membros, produzir e vender camisas e outros objetos alusivos e se apresentar junto dentro dos estádios de futebol. É uma medida dura, controversa e antipática, mas necessária diante de nossa realidade.
        MAURICIO MURAD
        O Brasil deve proibir torcidas organizadas?
        Símbolo e ritual
        NÃO
        As torcidas de times de futebol organizam a festa, os cânticos, as alegorias, a criatividade repentista e constroem rituais e simbologias, marcas de nossa cultura popular, de nossas identidades coletivas. Também fazem trabalhos sociais importantes e muitas vezes apoiam causas cívicas, pontos positivos e pouco divulgados.
        Sim a Eros, expressão da paixão, do ócio criativo. Não a Thanatos, que revela a destruição, o ódio, a morte. Não às gangues infiltradas nas torcidas! Essas hordas de vândalos, que se aproveitam desse coletivo historicamente legítimo, popular e democrático.
        Não podemos nem devemos generalizar e, por efeito, criminalizar esses coletivos que ajudam a sustentar um dos nossos maiores patrimônios culturais, o futebol.
        Torcidas organizadas? Estamos falando de 2 milhões de brasileiros e brasileiras. Já os grupos de delinquentes infiltrados --as imagens da televisão não deixam dúvida-- são minorias, perigosas e violentas, mas minorias, que têm de ser contidas pela mão dura da lei e pela ação enérgica das instituições de segurança pública. Basta de impunidade.
        Punição e prevenção, eis o binômio clássico de um planejamento de segurança consistente. E no longo prazo, claro, educação. Sem educação, não há solução para qualquer setor, o futebol inclusive.
        Acabar com as torcidas organizadas --ideia que reaparece sempre-- é decretar incompetência: é mais fácil, mais rápido e mais midiático "eliminar" o problema do que aplicar a lei, planejar a ordem pública, reprimir e prevenir, respeitando-se a legislação, a ética e os efeitos pedagógicos das ações de política pública.
        É o imediatismo e a extravagância de matar o gado para acabar com o carrapato. Depois não adianta empurrar para a clandestinidade (aí é que não se tem como fiscalizar mesmo!) enormes contingentes de pessoas, pacíficas em sua maioria, porque elas voltam com outros nomes, muitas vezes com a mesma diretoria e no mesmo endereço. Flagrante desmoralização da autoridade pública. Experiências desse tipo, aqui e lá fora, não deram certo. Por que insistir no erro? Desconhecimento?
        Está na Constituição brasileira que somos uma sociedade democrática e de Direito. Isso significa que todos devem obediência às leis e para cada transgressão há sanções cabíveis. O sentido ético, pedagógico e jurídico da pena é estabelecer a diferença entre quem cometeu e quem não cometeu o delito. Então, puna-se o infrator. Quando um deputado é pego em flagrante delito, quem é punido (quando é punido) é ele --no limite, com a perda do mandato. Não é o Congresso que é fechado. O mesmo vale para um policial em relação à sua corporação ou qualquer outra pessoa ligada a alguma instituição ou entidade. Não se pode confundir a pessoa física com a pessoa jurídica. São instâncias distintas, em todos os níveis.
        O que precisamos de fato é de um plano estratégico nacional de segurança pública para o futebol brasileiro, permanente e que se renove sempre, com três conjuntos de medidas interligadas.
        No curto prazo, medidas de punição (prioridades: prisão e processo criminal levado até o fim). No médio prazo, medidas de prevenção (prioridades: ocupar as redes sociais desses segmentos criminosos e desmontar os cenários de guerra previamente combinados). E no longo prazo, medidas de caráter reeducativo (parcerias com as lideranças e os setores majoritários e pacíficos das organizadas e o disque-denúncia das torcidas).
        Tudo isso para isolar e punir severamente os praticantes dos atos de selvageria e preservar a cultura legítima, popular e democrática das torcidas de futebol. E não é somente por causa da Copa do Mundo, mas, sobretudo, porque é um direito da cidadania e um dever do Estado, como preconiza a nossa Constituição vigente.
        Futebol é bem mais do que um jogo. É uma das expressões profundas da história, da vida social e das culturas que formam o Brasil.

        Xico Sá

        folha de são paulo
        Tapetão não é preciso
        Que prevaleça o que o garoto do placar anotou ao fim dos jogos. Ele é o dono da narrativa. Ponto
        Amigo torcedor, amigo secador, navegar é preciso, como fez a nau lusitana; alçar voo no tapetão, como pode ocorrer com o Fluminense, é inadmissível, injusto com os homens de boa vontade que derramam o mais bíblico e olímpico suor na camisa e sobre a terra.
        Amigo legalista, amigo justiceiro, cair no campo de batalha é humano, subir no tapetão da sala da justiça da CBF é imperdoável.
        Ninguém que gosta de futebol merece. Nem o Gravatinha, tricolor doente do outro mundo entende, alma penada que visitava as Laranjeiras mesmo depois de ter ido para a cidade de pés juntos.
        Justamente o Gravatinha, impagável personagem do tio Nelson Rodrigues, há de alertar o mais passional pó de arroz sobre a ocorrência, há de puxar o pé dos homens do tribunal que sempre castigam com a fria letra da lei os mais fracos e, na cara de pau, aplicam o subjetivismo mais platônico da Grécia antiga aos mais fortes.
        Errar pode ter sido, momentaneamente, lusitano. Que benefício Maria levou com isso? Como errar, outro dia, foi inteiramente tricolor e soberano. Os arquivos não mentem. Que prevaleça o que o garoto do placar anotou ao fim dos jogos. O garoto do placar é quem escreve a história, é o dono da narrativa. Ponto.
        Qualquer outra decisão da sala da justiça da CBF será desmoralização. Essa história de letra fria da lei é cascata. Nem a nossa suprema corte usa mais. Ser justo é diferente de ser friamente legal e etc.
        Se a decisão for baseada nas decisões anteriores da mesma sala de justiça, como chama a vinheta do "Redação SporTV", vale tudo: a jurisprudência, o repertório de casos julgados em outros campeonatos, autoriza qualquer medida. Tanto favorável ao Flu, quanto favorável à Lusa. A decisão, óbvio ululante, meu caro Gravatinha, será entre o mais forte e o mais fraco, o resto é jurisdiquês e fanatismo de torcida.
        Esqueça os cartolas, pense nos jogadores da Lusa que enfrentaram todas as tormentas, como escreveu o bravíssimo André Kfouri em texto exemplar no "Lance!".
        No que completou, de bate-pronto, o colega Hélio Schwartsman, nesta mesma Folha: "Se a Portuguesa perder os pontos, os cartolas estarão afirmando que o que acontece nos tribunais desportivos é mais importante do que o que ocorre dentro do campo, mensagem que não combina muito com a ideia de esporte".
        Navegar é preciso, voar no tapetão é ridículo, como diria o frio Paralelepípedo de Almeida, este desconhecido personagem também do tio Nelson, irmão do Sobrenatural da mesma família. Só o Ceguinho Tricolor, outro genial tipo da galeria rodriguiana, reconhece o STJD como campo de jogo a essa altura.
        Segunda divisão não é vergonha. Segundona é "onde os fracos não têm vez". Quem tem dignidade cai e levanta com as próprias forças.
        @xicosa

          Raquel Cozer

          folha de são paulo

          Literatura juvenil ganha subdivisões e alimenta discussão sobre perfis dos leitores

          RAQUEL COZER
          COLUNISTA DA FOLHA
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          A ambicionada fórmula da juventude ainda é um mistério. Enquanto ninguém dá um jeito nisso, o público adulto vem se permitindo estender o período de leitura de romances voltados a jovens.
          Exemplo disso está há meses nas listas de mais vendidos. Os romances do americano John Green, autor de "A Culpa É das Estrelas" (Intrínseca), que diz nunca ter pensado em escrever algo que não fosse para jovens, aparecem tanto nas listas juvenis quanto nas de ficção adulta.
          A dupla aparição decorre do modo como as editoras nacionais publicam os livros de Green. A Intrínseca os considera próprios a todas as idades; já WMF Martins Fontes e Rocco catalogaram "Quem É Você, Alasca?" e "Deixe a Neve Cair", respectivamente, como infantojuvenis.
          Lydia Megumi/Editoria de Arte/Folhapress
          Mas, mais que isso, o fenômeno é sintomático de um segmento, o juvenil, que cresceu tanto nos últimos anos que mal cabe nos rótulos que o mercado tenta lhe pregar, como "young adult" e "new adult" (veja quadro acima).
          "As pessoas entram na adolescência mais cedo e demoram mais a sair. A área juvenil passou de grande a imensa", diz Vivian Wyler, diretora editorial da Rocco, casa que tem desde 2000 o selo Jovens Leitores e prepara agora um selo de "new adult".
          FAIXAS ETÁRIAS
          Para o mercado, o "infantojuvenil" engloba a faixa dos 8 aos 12 anos. Entra aí, por exemplo, "Diário de um Banana" (V&R), de Jeff Kinney.
          Em seguida vem o "young adult" (jovem adulto), para leitores de 13 a 18 anos, com obras como "As Vantagens de Ser Invisível" (Rocco), de Stephen Chbosky, sobre um adolescente descobrindo a vida.
          Essa faixa costuma atrair leitores já na faixa dos 40 anos --como mostra o sucesso do próprio "A Culpa É das Estrelas", livro sobre adolescentes num grupo de apoio a vítimas de câncer que passou todo o ano de 2013 na lista dos mais vendidos no Brasil.
          Em seguida vem o segmento mais controverso, o "new adult" (adulto novo), para leitores de 18 a 25 anos --muitos editores o veem como novo rótulo para velha fórmula.
          O diferencial aqui seria trazer personagens que estão entrando na faculdade e lidam com sexo e violência. Um exemplo é "Belo Desastre" (Verus), de Jamie McGuire, um "50 Tons" recatado.
          Jorge Oakim, editor da Intrínseca, prefere definir grande parte das obras para jovens e adultos como "crossover" (cruzamento). "Desde 'A Menina que Roubava Livros' [de Marcus Zusak, 2007] existe essa discussão. Ele saiu nos EUA como livro jovem, o que irritou o autor. É injusto classificá-lo assim, porque tem leitores de até 70 anos", diz.
          PRECURSOR
          O professor da Unesp João Luís Ceccantini, especialista em literatura infantojuvenil, afirma que, apesar de um precursor no século 18, "Os Anos de Aprendizado de Wilhelm Meister", de Goethe (1749-1832), o gênero juvenil ganhou força nos anos 1950.
          Foi nessa época que saiu "O Apanhador no Campo de Centeio" (1951), de J.D. Salinger. O Brasil esperaria outros 20 anos por essa mudança -antes, passava-se dos infantis para os clássicos adultos.
          A persistência do leitor adulto no que se define como literatura juvenil é pouco estudada no país. Editores creditam o novo público à ascensão da classe C, mas o fenômeno ocorre no mundo todo.
          A referência incontornável é "Harry Potter", lançado nos anos 1990. "Surgiu com ele um leitor que se formou na literatura transmidiática, que chega aos cinemas e aos games", diz Ceccantini.
          Essa percepção leva ao entendimento de que houve certa infantilização do público. "Com 'Harry Potter', percebeu-se esse público que tem uma leitura mais simples, algo que lá fora chamam de 'leitor relutante'", diz Wyler.
          Ceccantini diz, no entanto, que "nunca se leu como hoje". "Um grande grupo que não tinha acesso ao mundo letrado ingressou nele, enquanto o pequeno grupo que consumia a chamada 'alta literatura' ainda faz isso", diz.
          Dias atrás, o americano Chuck Wendig, autor de juvenis, resumiu assim a questão no Twitter: "Talvez adultos leiam 'young adult' porque bons livros são bons livros e eles podem ler coisas que não podiam na adolescência porque elas não existiam."
          Juvenil lidera crescimento nas vendas em 2013
          Segmento registrou expansão de 24% em exemplares comercializados
          Cinco editoras do país, no entanto, concentram 80% dos negócios que envolvem títulos para jovens, diz pesquisa
          RAQUEL COZERDA COLUNISTA DA FOLHAO segmento juvenil foi o que mais cresceu em vendas nas livrarias em 2013, segundo dados da empresa de pesquisa GfK. Em relação a 2012, passou de 7,4% para 8,4% do total de exemplares vendidos, um aumento de 24%.
          O único segmento maior que o juvenil é o de literatura estrangeira, com 21% das vendas. Mas esse número é inflado pelos juvenis, já que livros lançados lá fora como "young adult" saem aqui como ficção estrangeira, caso de "A Culpa É das Estrelas" (Intrínseca), de John Green.
          Embora as editoras invistam cada vez mais nesse mercado, não há uma fórmula de sucesso. Levantamento da empresa de pesquisa Nielsen mostra que 80% das vendas dos juvenis estão nas mãos de cinco das centenas de casas publicadoras do país.
          São elas Intrínseca ("Os Heróis do Olimpo", de Rick Riordan), V&R ("Diário de um Banana", de Jeff Kinney), Rocco ("Jogos Vorazes", de Suzane Collins), Galera Record ("Cidade dos Ossos", de Cassanda Clare) e Gutenberg ("Fazendo Meu Filme", de Paula Pimenta, raro nacional num cenário de estrangeiros).
          Se na década passada o mercado editorial viveu uma multiplicação dos selos infantis, esta é a dos selos juvenis. Ou, mais do que isso, a de uma reorganização no que se entende por selo juvenil.
          Há um ano, a Companhia das Letras extinguiu seu selo infantojuvenil Cia das Letras e estreou o Seguinte, para público um pouco mais velho. "Concentramos no Seguinte livros com temas mais adultos. Outros, para leitores de 12, 13 anos, migramos para o Companhia das Letrinhas", diz a editora Julia Schwarcz.
          A criação do Seguinte marcou uma guinada comercial do segmento na editora, antes mais focado em livros para escolas. O maior sucesso é "Seleção", de Kiera Cass.
          Na Record, onde o juvenil garante 30% do faturamento total, o selo Galera acaba de passar por uma subdivisão.
          Antes dividido em Galerinha (crianças) e Galera (adolescentes) agora tem o intermediário Galera Junior, para público de 10 a 14 anos, de séries como "Artemis Fowl", de Eoin Colfer. Com isso, o Galera passa a visar jovens com 15 anos ou mais. "Não é tão rígido, mas ajuda a orientar os pais", diz a editora Ana Lima.
          Já a Rocco, que tem o selo Jovens Leitores desde 2000, prevê para 2014 seu selo de "new adult" (18 a 25 anos).
          Curiosamente, embora sejam vendidos como juvenis, nem todos os autores de "new adult" gostam de se ver associados a esse público.
          "Leitores jovens não são o alvo dos meus livros. Menos de 1% dos meus leitores têm de 13 a 15 anos. O resto tem 16 ou mais", diz Jamie McGuire, autora da série "Belo Desastre".