sábado, 11 de janeiro de 2014

Doação eleitoral de empresas deve ser proibida?

folha de são paulo
BOLÍVAR LAMOUNIER
TENDÊNCIAS/DEBATES
Doação eleitoral de empresas deve ser proibida?
NÃO
Democracia na penúria
Democracia sem eleições não existe. Eleição sem campanha também não. Campanha grátis tampouco. Assim, quem prefere viver numa democracia precisa admitir que um sistema adequado de financiamento eleitoral é indispensável.
Em tese, o financiamento pode ser exclusivamente privado, exclusivamente público ou misto. Entendido naturalmente que "público", em qualquer idioma, significa custeado pelos impostos que os cidadãos pagam ao governo.
No Brasil, a hipótese de um sistema exclusivamente privado não chega a ser cogitada. A de um sistema exclusivamente público, sim, é cogitada e não raro apresentada como uma panaceia.
O principal argumento a favor do financiamento exclusivamente público é o combate à corrupção. Afirma-se que ele acabará com o caixa dois e tudo o que isso significa, assegurando a lisura dos pleitos e uma representação política isenta de compromissos espúrios.
Eu, sinceramente, não vejo razão para tanto otimismo. O pressuposto de tal hipótese é o de que os partidos e candidatos ficarão contentes com suas respectivas frações dos recursos públicos, abstendo-se de buscar recursos adicionais. Eu não apostaria nisso.
Quanto ao modelo misto, público e privado, a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) requereu ao Supremo Tribunal Federal a inconstitucionalidade da participação de empresas no financiamento.
Quatro ministros já deram seus votos, todos conforme o pretendido pela OAB, ou seja, contra doações empresariais. Ao vetá-las, os quatro ministros presumivelmente entenderam que o cidadão-contribuinte dispõe de condições pecuniárias e de reservas de boa vontade para arcar sozinho com as despesas de campanha. No entanto, entre tais supostos e a realidade dos fatos parece-me existir uma distância considerável.
Há coisa de dois anos, na condição de relator de um dos projetos de reforma política, o deputado Henrique Fontana (PT-RS) sugeriu limitar o valor das contribuições individuais a R$ 700.
Ainda que o teto eventualmente adotado não seja tão baixo, o potencial de arrecadação por essa via não é promissor, por duas razões bem conhecidas: a distribuição de renda do país e o desagrado com que a política partidária e parlamentar é vista atualmente pela maioria dos eleitores brasileiros.
Do que acima se expôs, é possível depreender que a democracia brasileira pode estar sendo empurrada para uma situação preocupante: a de uma extrema penúria de recursos. No afã de combater a corrupção, podemos estar a um passo de jogar fora o bebê com a água do banho.
A questão final a considerar é por que uma parcela da elite política e governamental brasileira parece disposta a abraçar um modelo tão restritivo de financiamento. Por que excluir as empresas privadas?
Dir-se-á que o objetivo é combater a corrupção. Ora, que a corrupção atingiu limites inaceitáveis é óbvio. Mas é igualmente óbvio que seus agentes e processos encontram-se dos dois lados, ou seja, no setor privado tanto quanto no público, sem esquecer suas possíveis ramificações entre entidades intermediárias, como soem ser as ONGs, o sindicalismo etc.
O que produz a corrupção e lhe dá chances de prosperar não é o ambiente (a suposta ganância, a motivação de lucro) da empresa privada; não exclusivamente. Sem dúvida, reduzir as falcatruas ao mínimo possível passou a ser um objetivo essencial do sistema político brasileiro. Mas isso se faz com fiscalização rigorosa, transparência, exame sério e rápido das prestações de contas pelos tribunais competentes e o fim da impunidade, não com velhas prevenções contra a empresa privada.
ALINE OSORIO
TENDÊNCIAS/DEBATES
Doação eleitoral de empresas deve ser proibida?
SIM
Rumo ao financiamento democrático
Empresas não têm direito a voto. Afinal, vivemos em uma democracia, que é governo do povo. No entanto, as regras de financiamento de campanhas em vigor no país --que permitem que empresas doem até 2% de seu faturamento anual-- garantem a tais entidades uma via alternativa e mais eficaz para influenciarem as eleições.
A aplicação dessas regras permite que empresas injetem enormes quantias de dinheiro em campanhas. Em 2010, 1.900 empresas doaram 90% dos mais de R$ 3,8 bilhões arrecadados. Nesse modelo, o que garante a vitória de um candidato não é tanto a qualidade de suas propostas, mas a quantidade de recursos arrecadada. A política transforma-se, assim, em um negócio. Prova disso é que os principais doadores não doam ao candidato ou partido de sua predileção, mas a todos aqueles com chances de vitória.
Tal sistema torna os candidatos fortemente dependentes de seus doadores. E as relações promíscuas que se estabelecem entre empresas e políticos são uma das maiores fontes de corrupção no país, sugando recursos públicos que deveriam ser usados para atender as demandas da população.
Foi justamente para reduzir tais distorções que a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) propôs a ação direta de inconstitucionalidade nº 4.650 perante o Supremo Tribunal Federal, que já conta com quatro votos favoráveis. Os ministros que votaram argumentam, com razão, que a lei eleitoral viola os princípios da igualdade e da república, ao permitir que o poder econômico tenha uma influência tão decisiva na política.
Já os opositores da medida apresentam, basicamente, três argumentos. Em primeiro lugar, afirmam que o fim das doações de empresas serviria para perpetuar os partidos de situação no poder. Esquecem, porém, que no modelo atual as doações são canalizadas, na sua maior parte, justamente para esses partidos. Afinal, é natural que as empresas queiram estar bem com os governantes de ocasião. Além disso, as doações de pessoas físicas continuarão sendo permitidas e poderão aumentar a competitividade de pequenos ou novos partidos que sejam capazes de obter a adesão da população.
Ademais, alegam que a decisão não seria eficaz, pois as empresas usariam o caixa dois. Não se ignora que o fim das doações de empresas não extinguirá as doações não contabilizadas, já feitas no sistema vigente. Isso, porém, não constitui um motivo para que tudo fique como está. A medida contribuirá para reduzir os efeitos perversos da promiscuidade entre o dinheiro e a política e, ao impor o barateamento das campanhas, dará maior visibilidade a gastos desproporcionais às receitas declaradas, facilitando a fiscalização e a punição dos que se valerem do caixa dois.
Por fim, argumentam que o STF estaria usurpando competência do Poder Legislativo. Porém, é função institucional do Supremo invalidar normas contrárias à Constituição, como ocorre com as que permitem doações de empresas. E não parece sensato dar aos políticos que se beneficiam do corrompido sistema vigente o poder de dar a única palavra sobre sua manutenção ou mudança.
Se julgar procedente a ação, o STF imporá a prevalência dos princípios constitucionais que demandam que o processo eleitoral seja limpo e igualitário e atenderá à demanda da sociedade civil por uma política mais democrática e republicana.
A decisão não criará, porém, um modelo pronto e acabado de financiamento eleitoral. Caberá ao Congresso, devidamente fiscalizado pela sociedade, deliberar sobre as novas regras. Fundamental é que se garanta que o destino da nossa democracia permaneça nas mãos do seu verdadeiro titular, que é o povo, e não o poder econômico.

Helio Schwartsman

folha de são paulo
Pornografia explícita
SÃO PAULO - Deu na "Ilustrada" que o cinema cult redescobriu o sexo explícito. As salas mais respeitáveis da cidade estão exibindo fitas como "Ninfomaníaca", "Azul é a Cor Mais Quente" e "Tatuagem", que não recorrem a lençóis nem à contraluz na hora de mostrar as coisas como elas são. Isso é arte erótica ou pornografia? E será que existe uma diferença transcendental entre ambas?
Creio que não, mas, se há, ela é bem mais tênue do que se imagina. Uma boa definição é a proposta pelo filósofo e historiador da arte Sarane Alexandrian em sua deliciosa "História da Literatura Erótica". Para Alexandrian, o erótico nada mais é do que o "pornográfico revalorizado em função de uma ideia do amor ou da vida social". O erótico seria, em bom português, a pornografia com grife.
O interessante do livro de Alexandrian é que ele mostra que as coisas nem sempre foram assim. Embora vejamos a Idade Média como um período de obscurantismo --e na maioria dos contextos era mesmo--, na esfera sexual reinava bastante tolerância. Um exemplo eloquente é o de Gian Francesco Poggio (1380-1459), que, enquanto secretariava o papa Bonifácio 9°, escreveu "Facécias", obra que traz historietas de forte caráter sexual contadas em bom latim.
O ponto central, me parece, é que pelo menos desde Freud já não deveríamos precisar de pretextos elevados para consumir sem culpa obras que tratem de sexo. Não tenho nada contra grandes cineastas e artistas tratarem do assunto, mas também não tenho nada contra as abordagens escancaradamente vulgares.
Se a função da ficção é fazer com que o observador experimente as sensações retratadas de modo a prepará-lo para a vida, então a pornografia é a mais eficaz das narrativas, já que a reação fisiológica de quem é exposto a ela tende a ser igual à de quem está diante do objeto real. Assistir a um filme erótico é uma experiência mais próxima do original do que ver encenado um homicídio.

André Singer

folha de são paulo
Apartheids no país da Copa
Desta vez não foi preciso esperar junho. Dois acontecimentos de tonalidades quase opostas, no início de ano futebolístico, tiveram o dom de mostrar ao mundo a formação estamental brasileira sob o manto da suposta igualdade civil. Refiro-me à retomada dos irônicos "rolezinhos" em shoppings de São Paulo e ao macabro vídeo das decapitações no Maranhão.
O sentido ideológico das manifestações dos jovens da periferia nos centros de compras paulistanos é difícil de precisar. Como fica claro em entrevista do antropólogo Alexandre Barbosa Pereira (aqui), elas contêm profunda ambiguidade. De um lado, ao contestar a falta de áreas de lazer e a exclusividade de espaços semipúblicos para quem tem dinheiro, trazem demanda igualitária. Por outro, ao expressar fascínio pelo universo da mercadoria, ajudam a reproduzir a desigualdade contestada.
Mas, ao menos numa dimensão, o movimento juvenil em torno dos locais de consumo traz recado claro e insofismável. As meninas e meninos estão dizendo: "Nós existimos e queremos ter o direito pleno a participar desta sociedade, seja ela como for". Convencidos, por bons motivos, de que a vida social gira em torno da mercadoria, a garotada periférica se organizou para afirmar que não admite mais ser excluída desse círculo.
Embora quase impossível, se abstrairmos o que há de monstruoso na ação dos detentos maranhenses, há também ali um grito de desespero, uma maneira cruel e sanguinária de dizer que não é possível viver naquela situação excluída por completo do cânone civilizado. Celas com 13 presos em espaço onde caberiam apenas quatro. Galinha crua como refeição. Cheiro nauseante de fezes, urina e comida estragada. Foram tais amostras superficiais do inferno penitenciário que a Folha colheu em presídio de São Luís análogo ao do horrendo filme.
A organização dos presidiários em bandos que, na prática, controlam o cotidiano da prisão é a consequência óbvia de tais condições. Sociedade de massas com um dos mais altos índices de detentos do planeta, o Brasil gera, quase que de maneira automática, redes criminosas que, uma vez formadas, funcionam como pequenos Estados dentro do Estado. O problema é que são Estados tirânicos, onde a lei é simplesmente a do mais forte.
Tanto os "rolezinhos" paulistanos quanto as cabeças cortadas de Pedrinhas estão a lembrar a tarefa que o país da Copa do Mundo ainda tem diante de si: incluir, integrar, dar acesso universal aos benefícios que já foi capaz de produzir para uma parte da população. Esvaziar presídios e encher praças vai exigir de nós bem mais do que terminar os estádios a tempo.

Ruy Castro

folha de são paulo
Antes do 1º de abril
RIO DE JANEIRO - A menos de três meses do dia 1° de abril, vem por aí uma chuva de eventos pelos 50 anos do golpe civil-militar de 1964 --livros, séries de reportagens na imprensa, programas de TV, exposições, debates, palestras, shows. Mas, por mais agitado que seja o trimestre, dificilmente se comparará ao que fervilhava nesse exato período em 1964, em que o intenso zum-zum-zum cultural do Rio disputava com o crescente e sinistro rumor de sabres.
No teatro estavam em cartaz, ao mesmo tempo, Fernanda Montenegro (com "Mary, Mary", de Jean Kerr), Maria Della Costa (com "Gimba", de Guarnieri) e Bibi Ferreira (com "Minha Querida Lady", de Alan Jay Lerner). No cinema, estreavam "Ganga Zumba", de Cacá Diegues, "Os Fuzis", de Ruy Guerra, e --em primeira exibição numa sessão no Vitória, no dia 13 de março, a poucos quilômetros do megacomício daquela noite na Central do Brasil--, "Deus e o Diabo na Terra do Sol", de Glauber Rocha.
Dois discos que ficariam para sempre saíram naqueles dias: "Getz/Gilberto", de Stan Getz e João Gilberto, contendo o "Garota de Ipanema" que tomaria o mundo na voz centimétrica de Astrud, e "Nara", o primeiro LP de Nara Leão, contendo "Diz Que Fui Por Aí", de Zé Kéti, e a profética "Marcha da Quarta-Feira de Cinzas", de Lyra e Vinicius. Anibal Machado e Ary Barroso tinham acabado de morrer; Brigitte Bardot logo iria chegar.
Nas livrarias, os novos romances de Clarice Lispector, "A Paixão Segundo G.H.", Carlos Heitor Cony, "Antes, o Verão", e Campos de Carvalho, "O Púcaro Búlgaro". Nas bancas, o último número da revista "Senhor" (fechara em janeiro) e o primeiro de "Pif-Paf", a revista de Millôr Fernandes (nasceria em março). A praia era no Castelinho, em frente ao botequim Mau Cheiro, e fazia sol todos os dias.
Mas, nos dias 31 de março e 1º de abril, iria chover.

Brasil ganha bons romances históricos que recriam lacunas entre Colônia e Império - Raquel Cozer

folha de são paulo
A cortesã mineira dona Beja ajudou François Dumont, futuro avô de Santos Dumont, num plano para fazer fortuna no século 19. Anos antes, o francês desembarcara no país para expandir os negócios do sogro, dono da joalheria parisiense Gerbe d'Or.
Ok, essas são versões dos fatos. Se levarmos a história ao pé da letra, podemos dizer só que Beja e Dumont (o avô) viveram na mesma época na mesma região de Minas. E que o sogro dele era joalheiro, mas não da Gerbe d'Or.
Quem preencheu com ficção as lacunas factuais até formar uma trajetória crível de quase 600 páginas foi Alberto A. Reis, 66, no romance "Em Breve Tudo Será Mistério e Cinza", lançado pela Companhia das Letras.
Editoria de Arte/Folhapress
A obra integra uma seleção de bons títulos recentes que têm em comum o mergulho numa seara pouco explorada pela literatura nacional —a de romances que retratam Brasil Colônia e Império.
Outros exemplos são "Quatro Soldados" (Não Editora), de Samir Machado de Machado, cuja trama revê o Sul dos anos 1750, e "O Bibliotecário do Imperador" (Biblioteca Azul), de Marco Lucchesi, no Rio do fim do século 19.
Há ainda "A Máquina de Madeira" (Companhia das Letras), de Miguel Sanches Neto, sobre o padre paraibano que criou, no século 19, o protótipo da máquina de escrever. O livro, de 2012, concorreu em 2013 aos prêmios São Paulo e Portugal Telecom.
No geral, esses romances tiveram repercussão tímida e ainda não esgotaram as tiragens iniciais, de 3.000 cópias —num país em que livros de história (Laurentino Gomes, Leandro Narloch etc.) saem às centenas de milhares.
"Muitos veem o romance histórico como algo do passado. Parece que não é literatura", diz Sanches Neto, 49.
No caso nacional, não chega nem a ser coisa do passado. Quando o romance histórico deslanchou na Europa no século 19, com "Ivanhoé" (1819), do escocês Walter Scott, e "Os Três Mosqueteiros" (1844), do francês Alexandre Dumas, mal havia romancistas por aqui.
Os grandes nomes do país surgiram na segunda metade daquele século, com destaque para José de Alencar, com "Iracema" (1865), cuja trama se passa 200 anos antes.
Mas logo o olhar para o passado minguou no país, com exceções como "O Tempo e o Vento" (1949-1961), de Érico Veríssimo, e "Viva o Povo Brasileiro" (1984), de João Ubaldo Ribeiro. No Reino Unido, por sua vez, Bernard Cornwell, Hillary Mantel e outros ainda fazem sucesso.
"No geral, o romance histórico decaiu no século 20. Não em interesse, porque Dumas continua sendo lido, mas em prestígio a ficção toma outro rumo, mais moderno", diz Jefferson Cano, especialista em literatura e história.
A extensão do passado também influi no desinteresse nacional. "O romance histórico europeu volta à Idade Média, o que não temos aqui", diz o professor da Unicamp Mário Frungillo.
FRONTEIRAS
Mas foi a ideia da "Idade Média brasileira" que fez Samir Machado de Machado, 32, investigar conflitos de índios, espanhóis e portugueses nas fronteiras sulinas do século 18, em "Quatro Soldados".
"Entre o descobrimento do Brasil e a chegada de d. João 6º, há um período em que o país é meio abandonado. É vago o bastante para liberar a imaginação", diz.
O crítico Luís Augusto Fischer lembra que o autor não está isolado no esforço de reconstruir um Sul ficcional. É conterrâneo de Tabajara Ruas e Luiz Antonio de Assis Brasil, que já recontaram a história pela ficção. "O pensador italiano Franco Moretti escreveu que romances históricos tendem a vir de regiões de fronteira. Pertencer ou não ao Brasil está sempre em causa na literatura do Sul", diz.
No geral, esse olhar ficcional é permeado de ironia —é um país que nasce com mais pompa que circunstância.
"Em Breve Tudo Será Mistério e Cinza" é o mais debochado, ao tratar da aclimatação de Dumont ao país, constrangido pelo fascínio que sente por escravas. Alberto A. Reis trata, ainda, de debates atuais, como o tamanho do Estado na economia. "A ficção não é real, mas tem de soar verdadeira."
Esse é, para Sanches Neto, o diferencial de romances históricos recentes. "Não quero ensinar história, quero discutir a sociedade atual a partir do que esquecemos."
Livros para jovens contam sagas de meninos pobres portugueses
DA COLUNISTA DA FOLHA
Dois romances juvenis lançados em 2013, "A Descoberta do Novo Mundo" (Planeta), de Mary del Priore, e "Enquanto o Dia Não Chega" (Alfaguara), de Ana Maria Machado, abordam um período ainda mais inexplorado pela ficção brasileira --o século 16, no início do Brasil Colônia.
Têm em comum um dado histórico pouco conhecido entre quem não é estudioso da área: meninos pobres portugueses que eram trazidos ao Brasil para ajudar jesuítas no contato com os indígenas.
Lançado em fevereiro, o juvenil de Del Priore abre uma trilogia que marca a estreia em romances da historiadora, autora de best-sellers como "Histórias Íntimas -- Sexualidade e Erotismo na História do Brasil" (Planeta).
"A história é um convite à aventura, permite ao leitor um deslocamento no tempo importante para a ficção. Os protagonistas do meu livro [os garotos Pedro e Paulo] podem não ter existido com esses nomes, mas estiveram no Colégio dos Jesuítas", diz.
Del Priore os coloca, por exemplo, convencendo o governador-geral Mem de Sá a atacar de dia, e não à noite, a colônia francesa que havia se instalado no Rio de Janeiro.
No segundo livro da série, "A Viagem Proibida: Nas Trilhas do Ouro", de outubro, dois garotos desembarcam no Rio do século 18 e se assustam ao ver uma cidade mais africana que portuguesa.
Além de uma criança portuguesa que chega ao Colégio dos Jesuítas, meninos escravos também aparecem no livro juvenil de Ana Maria Machado, lançado em dezembro.
Mais à vontade no terreno da ficção e menos íntima da história que Del Priore, Machado também retrata o mal-estar das viagens em caravelas e as surpresas com a chegada ao país em formação.

José Simão

folha de são paulo
Ueba! A quentinha da Roseana!
E a quentinha da Roseana tá ficando mais rica! Agora, ela licitou: champanhe, uísque escocês e caviar
Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Hoje a sensação térmica é de garrafa térmica! É tanto calor que eu abri a geladeira e encontrei um pinguim escondido no freezer! Aliás, o pinguim é o bicho mais chato: só anda e é monogâmico! E com esse calor, a Miriam Leitão vai virar torresmo! Rarará!
E a manchete do Piauí Herald: "Família Real Maranhense foge pro Amapá". E todos de bigode! E aí perguntaram pro Sarney: "Como os presídios chegaram nessa barbárie?". "Culpa do meu antecessor!". "Quem?". "Dom Pedro 2º". Rarará!
E a quentinha da Roseana tá bombando! Tá ficando mais rica! Depois dos 80 kg de lagosta, agora licitou: champanhe, uísque escocês e caviar.
A Roseana é fofa: é tudo pra incluir nas quentinhas dos presídios! E aí o preso vai gritar: "Cadê meu molho de alcaparras?". Rarará! Quentinha Roseana Gourmet!
E a sigla do Maranhão, MA: Me Ajudem! E eu sempre adorei aquele livro do Sarney: "O Dono do Mar...anhão". Rarará!
Notícias da praia! E um amigo meu tá passando o verão em Fortaleza e disse que tá tendo uma vida sexual intensa: comeu quatro caranguejos!
E essa placa num boteco na Praia do Forte: "Proibido falar porra nessa porra". Então vai ficar todo mundo em silêncio. Pra tudo baiano grita "porra". Quando acorda de mau humor, já grita: "Acordei virado na porra".
E um dia encontrei uma baiana em Arembepe e ela gritou: "Zé Simão por aqui? Que porra é essa?". Essa "porra" sou eu! Rarará!
E em Canoa Quebrada uma sorveteria com a placa: "Chegou o azulzinho. Sorvete de viagra". Pra quebrar qualquer canoa! A canoa e a patroa! Rarará! A praia vai mudar de nome pra Patroa Quebrada!
É mole? É mole, mas sobe!
Os Predestinados! Mais dois para a minha série Os Predestinados! Diretor do cadeião de Alagoas: Temildo das Trevas! Medo! Pânico! Vou pro Maranhão! Rarará!
E em Londrina tem essa advogada: Tranquila Semprebom de Azevedo!
E esse cartaz no poste em Maringá, no Paraná: "Se você orou hoje, buzine!". Buzinaço Gospel!
Já imaginou se todos os evangélicos resolvem buzinar ao mesmo tempo? Rarará!
Nóis sofre, mas nóis goza!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

    Mônica Bergamo

    folha de são paulo

    Diplomata brasileiro é acusado de dar calote de R$ 43 mil em aluguel na Dinamarca

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    O diplomata Paulo Fernando Pinheiro Machado, 33, foi acusado por uma milionária dinamarquesa de dar um calote de 100 mil coroas (R$ 43 mil). A dívida seria referente a aluguéis e avarias no imóvel de luxo que o brasileiro ocupou ao servir na Embaixada do Brasil em Copenhague.
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    O caso veio à tona em 30 de novembro numa reportagem do jornal "BT". O texto de página inteira é ilustrado com imagem do brasileiro jogando polo, retirada de sua página no Facebook, e foto da empresária Inger Correll, "especialista em etiqueta".
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    A senhora de 75 anos foi locatária do apartamento de luxo que o então segundo secretário da embaixada brasileira ocupou na capital dinamarquesa entre 2009 e 2012. Ela acusa o inquilino de transformar a "residência diplomática em um chiqueiro".
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    Reprodução
    No jornal "BT", milionária acusa diplomata brasileiro (à esq.) de deixar dívida de R$ 43 mil
    No jornal "BT", milionária acusa diplomata brasileiro (à esq.) de deixar dívida de R$ 43 mil
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    Em outro trecho, diz que "destruiu móveis e, o pior, deixou grandes buracos no piso de madeira". Reclamou até das roupas de cama sujas que ficaram no imóvel.
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    Por e-mail, Pinheiro Machado informou que só o Itamaraty trataria do assunto: "Infelizmente, não posso me manifestar acerca desta campanha difamatória, dado que à época do fato que me imputam sem provas exercia funções oficiais pelo governo brasileiro". E completa: "Sinto pesar em ser contatado a propósito de conteúdo veiculado em tabloide sensacionalista".
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    Seu advogado, Marco Aurélio Schetino, diz que a reportagem "é o ápice de uma extorsão". Segundo ele, Correll é "ex-milionária envolvida em escândalos", e a acusação, infundada e racista. "Na reportagem, ela os chama de porcos. Já chegou a tratar meu cliente de macaco latino-americano."
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    Em 31 de janeiro do ano passado, o brasileiro foi condenado a pagar a suposta dívida, deduzida uma caução de cerca de R$ 35 mil, referentes a três meses de aluguel. "Foi um julgamento à revelia, em um juizado especial. Não é o trâmite judicial adequado. Meu cliente tem imunidade diplomática", explica Schetino. A condenação saiu quando Pinheiro Machado já havia sido transferido para a Suécia.
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    A empresária relatou ao "BT" que bateu às portas das embaixadas do Brasil tanto em Copenhague quanto em Estocolmo sem sucesso. Lamenta o suposto uso da imunidade diplomática para não honrar dívida. "Diplomatas estrangeiros, aparentemente, podem fazer o que quiser." Ironiza o fato de Pinheiro Machado cultivar hábitos finos, como jogar polo. "No Facebook, há uma série de fotos dele praticando o esporte de cavalheiros ingleses."
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    O jornal faz referência ao fato de o brasileiro ser poliglota e se comunicar em nove línguas: dinamarquês, norueguês, sueco, português, espanhol, italiano, francês, alemão e russo. "Apesar do vasto conhecimento de línguas, não respondeu aos e-mails."
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    O Itamaraty concede auxílio-moradia de até R$ 15 mil para secretários no exterior, conforme a Folha informou, no domingo, em reportagem sobre os R$ 54 mil de aluguel que o governo brasileiro paga pelo imóvel ocupado pelo embaixador Guilherme Patriota em Nova York.
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    Sobre o caso da Dinamarca, o Itamaraty, em nota, esclarece que "os contratos de aluguel de diplomatas brasileiros em missão no exterior são assinados por eles mesmos, como pessoas físicas". Informa que o funcionário recebeu da Embaixada em Copenhague os reembolsos pelo aluguel e seria o responsável pela quitação do mesmo.
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    O Itamaraty ouviu o servidor e ainda apura os fatos. "Caso seja verificada a existência de indícios plausíveis de irregularidade na conduta do diplomata, o Ministério das Relações Exteriores tomará as providências cabíveis, tanto por meio da Comissão de Ética como no âmbito da Corregedoria do Serviço Exterior."

    Comemoração do Dia de Reis

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    Bruno Poletti/Folhapress
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    Sueli Lartigue, diretora-executiva da Câmara de Comércio França-Brasil, recebeu convidados no evento francês Galette des Rois, em que uma torta de massa folhada é servida para celebrar o Dia de Reis, na segunda (6)
    BOLO REAL
    Sueli Lartigue, diretora-executiva da Câmara de Comércio França-Brasil, recebeu convidados no evento francês Galette des Rois, em que uma torta de massa folhada é servida para celebrar o Dia de Reis. O consultor Antonio Bento Furtado, a publicitária Edna Junqueira e o empresário Laurent Serafini foram à comemoração.
    RESGATE
    O número de agentes do governo estadual que tentam convencer dependentes da cracolândia a buscar ajuda passou de 50 para 68. O trabalho foi assumido na véspera do Natal pelo Instituto Mensageiros, que vai receber R$ 5,1 milhões por um ano de convênio com a Secretaria de Desenvolvimento Social.
    *
    Das 4.400 pessoas atendidas pelo serviço em 2013, 12% ainda estão em tratamento.
    SALTO ALTO
    Laerte Coutinho, cartunista da Folha e transgênero, se diz chateado por se ausentar de uma manifestação contra a discriminação sexual hoje em um shopping na avenida Paulista. "Vou estar fora de SP. Senão, eu ia, sim." O ato no Center 3 foi convocado por uma transexual que teria sofrido preconceito de um segurança por usar o banheiro feminino —problema que Laerte também já enfrentou. O local informa desconhecer o fato e "respeitar a diversidade".
    CURTO-CIRCUITO
    Marcelo Rezende autografa o livro "Corta pra Mim" hoje, na Livrarias Curitiba do shopping Aricanduva, a partir das 10h.
    Oskar Metsavaht, estilista e fotógrafo, abre uma exposição de fotos hoje, em Aspen (EUA), onde passa temporada.
    mônica bergamo
    Mônica Bergamo, jornalista, assina coluna diária publicada na página 2 da versão impressa de "Ilustrada". Traz informações sobre diversas áreas, entre elas, política, moda e coluna social. Está na Folha desde abril de 1999.